Daniel Cabral sonha com Mundial sub-17 para homenagear Rykelmo

GLOBO ESPORTE: A lembrança está nas fotos do celular. Na memória. Nos sonhos que tinham juntos. E agora Daniel Cabral tenta conquistá-los para oferecer ao eterno amigo. O volante do Flamengo e da seleção brasileira sub-17 carrega o nome de Rykelmo, uma das vítimas da tragédia do Ninho do Urubu, até nas chuteiras. E espera que no próximo dia 17 de novembro, data da decisão do Mundial, ele e os outros nove colegas que perdeu sejam lembrados.

Daniel é alegre. Alto-astral. Criado em Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Puxa sempre o pagode na concentração e nas viagens feitas pela seleção. Quando fala sobre Rykelmo, o Bolívia, o tom de voz, claro, se altera. Mas o esforço é único: ele quer lembrar do amigo com um sorriso no rosto.

“Não tem como esquecer. Foi momento muito complicado para todos, especialmente para os atletas do Flamengo. Para mim, principalmente, o Rykelmo, que era um grande irmão meu”, comentou.



A amizade começou quando ambos tinham entre 12 e 13 anos. Rykelmo era de Limeira, no interior de São Paulo, e foi morar no alojamento do Flamengo. Daniel Cabral passava a semana lá para evitar o longo deslocamento até mesquita. Dividiam beliche. Iam para a praia juntos.

Passavam o fim de semana juntos na casa de Daniel. Brigavam por posição. Mas eram muito amigos. Em um certo momento, o atual volante da seleção brasileira passou a se destacar. Recebeu patrocínio de uma marca esportiva. Sempre pedia dois pares de chuteiras com um único objetivo: dar uma para o amigo.

– É uma coisa incrível. Eles são da mesma posição: os dois eram volantes. E o sonho desses garotos é jogar futebol. Eles normalmente competem entre eles. Mas eles eram muito amigos. O Rykelmo veio de São Paulo, o Daniel já estava no Ninho. Iam para a escola juntos. A namorada do Rykelmo, que é do Rio, é muito amiga do Daniel – conta o pai de Daniel, Alex Sandro Oliveira.

Alex recebia o Bolívia em casa e, diante da distância do jovem com a família, que permaneceu no interior paulista, o cuidava como um filho. O acionava no celular para saber, às vezes, onde Daniel Cabral estava. Jorge Eduardo, outra vítima do incêndio, também era próximo ao volante.

O pai do jogador rubro-negro se aproximou da família de Rykelmo após a tragédia. Mantém contato com a mãe do jovem, Rosana Viana. E não hesita em perder a oportunidade de enaltecer a memória do grande amigo do filho.

“Ele era um garoto espetacular. Ele cumpriu o tempo dele. Ele viveu. Viveu bem. Queria muito que o Rykelmo estivesse aqui, com a gente. Mas acho que ele deve estar feliz onde está”, reforça Alex.

O dia em que uma apresentação à seleção foi missão árdua
Daniel era o morador mais antigo do alojamento antigo no Ninho do Urubu. Mas naquela madrugada do dia 7 para o dia 8 de fevereiro deste ano, ele não dormiu no local. Foi liberado no dia anterior para ir para casa, em Mesquita, onde prepararia suas malas e se apresentaria à seleção brasileira sub-17 na Granja Comary para o Sul-Americano da categoria.

No entanto, no trajeto para Teresópolis, ele começou a receber as tristes notícias. Não conseguiu participar dos primeiros treinos com a seleção, que disputaria o torneio continental em março, no Peru. Daniel perdeu televisão e videogame no incêndio. Mas só não quer perder a memória da amizade que construiu.

– Minha chuteira tem o nome do Rykelmo. Sempre carrego ele comigo no meu coração, nos meus pensamentos. Tento levar um pouco do futebol dele para dentro de campo também, um futebol muito aguerrido. Tento representar ele sempre. Se a gente for campeão, com certeza vou dedicar para ele – confidencia o volante do Flamengo.

A família de Daniel agora mora em Jacarepaguá, próximo ao CT do Flamengo. A ideia era que a mudança acontecesse quando o jovem volante completasse 18 anos, no ano que vem, mas o processo foi acelerado.

Titular da seleção brasileira sub-17, ele esteve em campo nas três vitórias do Brasil da primeira fase e será escalado nesta quarta-feira, contra o Chile, pelas oitavas de final. Daniel ressalta: joga por ele, pelos amigos Rykelmo e Jorge Eduardo, e por Arthur Vinícius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Cristian Esmério, Gedson Santos, Pablo Henrique, Samuel Thomas e Victor Isaías.

“Agora não corro mais só por mim. Corro por ele, pela família dele e pelo sonho de todos os 10 que se foram e infelizmente não podendo aqui correr atrás dos próprios sonhos”

O texto de Daniel no dia da tragédia: volante só não estava no alojamento porque tinha que se apresentar à seleção para o Sul-Americano Sub-17

Não tem como esquecer. Foi momento muito complicado para todos, especialmente para os atletas do Flamengo.

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