Fla supera "cheirinho" com títulos. E o Palmeiras fica sem Mundial

UOL: A conquista de duas taças no intervalo de 24 horas foi um pagamento com juros e correção monetária para a torcida do Flamengo, que já estava farta da provocação dos rivais.

Agora, sai o "cheirinho" e entram os troféus. Com a Libertadores e o Brasileiro no bolso, o Rubro-negro dá o troco e saboreia as mais doces horas de todos os seus 124 anos de história.

Até este fim de semana, os feitos do time de 1981 eram a referência para um torcedor que mantinha o orgulho pelo passado, mas ansiava por um passo adiante. No então ano mais mágico de todos os tempos do Fla, a equipe levantou, em 21 dias, o Carioca, a Libertadores e o Mundial. Em termos de espaço de tempo, a marca já foi superada.

Everton Ribeiro e Diego Alves, campeões da Libertadores pelo Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
O intervalo foi tão curto que os jogadores ainda festejavam a conquista continental. Quando a vitória do Grêmio sobre o Palmeiras por 2 a 1 foi decretada, a euforia só aumentou. Nas ruas e no ônibus do elenco.

"O que a torcida pede é que a gente tente ganhar o mundo. O Flamengo está sempre acima de todos", projetou Gabigol.

Este espaço de êxtase rubro-negro foi forjado à base de decepções. Desde 2009, o clube não conquistava o principal torneio nacional. A Libertadores, então, era perseguida desde 1981.

Neste período, o Fla colecionou vice-campeonatos, frustrações e teve de conviver com a gozação alheia, ainda que o clube tenha se estruturado financeira e administrativamente. Até este auge, o clube colecionou eliminações traumáticas na competição continental, perda da Copa do Brasil e, inclusive, um vice na Sul-Americana. Após anos de saneamento, os rubro-negros conseguiram casar resultados esportivos com os econômicos. A hora do pagamento, enfim, chegou.


FLAMENGO X PALMEIRAS

A troca de provocações é mais um capítulo em uma rivalidade que vem se exacerbando nos últimos anos. Detentores das maiores receitas do futebol brasileiro, Flamengo e Palmeiras se destacaram nos últimos três anos pela montagem de times repletos de grandes nomes e briga constante - muitas vezes entre si - por títulos nas competições nacionais. A disputa dentro de campo transpirou para a torcida, dirigentes e jogadores.

Poder financeiro e busca por protagonismo no cenário nacional

Palmeiras e Flamengo juntos somaram, em 2018, quase um quarto de todas as receitas do futebol brasileiro. Foram R$ 654 milhões do Palmeiras, e R$ 536 do Flamengo, segundo estudo do Itaú BBA. A liderança dos dois clubes já tinha acontecido em 2017, e acabou refletida dentro de campo.

O caldo da rivalidade começou a ferver em 2016. Ao embalar no Brasileirão, o Flamengo empolgou a torcida, que passou a acreditar e prever a conquista antecipadamente. O Palmeiras, entretanto, reagiu, e terminou a competição como campeão, com 80 pontos, contra 71 dos cariocas.

Depois de um hiato em 2017 com título do Corinthians, o alviverde voltou a vencer, somando 80 pontos. O vice-líder? Flamengo, com 72. Neste ano, finalmente, os papeis se inverteram: graças ao tropeço palmeirense de ontem diante do Grêmio, no Allianz Parque, o Rubro-negro se sagrou campeão brasileiro, levando a melhor em mais uma briga direta pelo título.

Se em títulos brasileiros o Palmeiras ainda leva a melhor nessa nova era de rivalidade, o Flamengo tem a conquista da Libertadores como trunfo. O rival paulista não conseguiu, desde 2016, chegar sequer a uma final.

"Cheirinho" de um lado, "não tem Mundial" do outro; zoeira contagiou torcida e atletas

Ainda em 2016, quando o Flamengo arrancava no Brasileirão, surgiu a expressão "cheirinho de hepta", utilizada por torcedores ao redor do país profetizando uma conquista rubro-negra. A profecia não se concretizou e, com o título do Palmeiras, o "cheirinho" virou meme e prato cheio para gozações aos flamenguistas.

No ano passado, quando o alviverde garantiu o título brasileiro, os jogadores tiraram onda em frente à loja oficial do Flamengo no aeroporto Santos Dumont. Retornando a São Paulo depois de bater o Vasco por 1 a 0, atletas palmeirenses colocaram a mão sobre o nariz, dando risada, em alusão ao "cheirinho" de 2016. Torcedores também entraram na brincadeira.

As conquistas do final de semana trouxeram a vingança flamenguista, com Gabigol puxando o coro de "Palmeiras não tem mundial". No Rio de Janeiro, torcedores rubro-negros também cantaram provocações aos adversários paulistas.

Disputa gera bate boca em torno de VAR e arbitragem entre dirigentes

Como é comum no futebol brasileiro, as brigas acirradas geram enxurradas de críticas à arbitragem e, agora, ao VAR. Dirigentes de ambos os lados acusaram erros, favorecimento e trocaram farpas publicamente após partidas. No último dia 29 de setembro, após um empate com o Inter no Beira Rio, o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, citou nominalmente o Flamengo.

"Em muitos lances, é só vocês fazerem um levantamento, o VAR não tem atuado em jogos do Flamengo, isso é fato. Ontem foi um exemplo. Tem o jogo do Internacional também no Maracanã. A gente vem a público pedir uma arbitragem que apite igual para todos", afirmou.

Cerca de 15 dias depois, o vice de futebol do Flamengo, Marcos Braz, rebateu pedindo providências à CBF pela "pressão". "Uma semana ou 15 dias atrás, o presidente do Palmeiras veio a público questionar a arbitragem com adjetivos pesados, questionando até a idoneidade da arbitragem. Isso passou, não teve punição nenhuma, CBF não se posicionou".

Não houve punição a ninguém. Com 13 pontos de diferença na tabela entre o campeão Flamengo e o Palmeiras, o debate sobre arbitragem acabou perdendo força.

Reação flamenguista causou demissão de Felipão afetou projeto do Palmeiras

Após perder duas edições disputadas do Brasileirão para o Palmeiras, o Flamengo reagiu em 2019 e impactou diretamente o projeto do rival. Uma acachapante vitória sobre o alviverde por 3 a 0 no começo de setembro causou a demissão do técnico Luiz Filipe Scolari. Ídolo palmeirense, Felipão tinha comandado a equipe no título de 2018 e deixou o cargo com 68% de aproveitamento.

Na medida em que o Flamengo se distanciou na tabela, se intensificaram as cobranças sobre o diretor de futebol palmeirense Alexandre Mattos e seu projeto. Contratações rubro-negras que deram resultado, como Bruno Henrique, viraram régua de torcedores para contestação de investimentos feitos pelo dirigente alviverde, como as chegadas de Felipe Pires e Carlos Eduardo.

Enquanto o Flamengo disputa o Mundial de clubes, entre os dias 11 e 21 de dezembro, o Palmeiras poderá sentar e traçar o planejamento para 2020. A partir de janeiro, será escrito mais um capítulo da rivalidade que mais cresceu no futebol brasileiro nos últimos quatro anos.

Bruno Henrique cutuca Vasco

Nos raros momentos de lembrança e provocação aos rivais do Rio, Bruno Henrique era o porta-voz. "O Flamengo está em outro patamar", repetia o atacante, lembrando da frase dita após o empate por 4 a 4 entre os times que rendeu polêmica. Mas foi só. O foco era a "briga" atual contra o Palmeiras


Este espaço de êxtase rubro-negro foi forjado à base de decepções. Desde 2009, o clube não conquistava o principal torneio nacional.

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