Flamengo e Santos merecem palmas

MILTON NEVES: Estou na área do futebol há quase 60 anos, desde Muzambinho-MG.

Como ouvinte de rádio, leitor de jornal emprestado, telespectador na casa do vizinho ou como jornalista-jornalista mesmo de tantas mídias e veículos, de 1970 para cá.

E lá, desde minha tenra idade, em Minas, passei a ser santista graças ao Pagão (1934 – 1991), o primeiro grande 9 de Pelé.

É que o saudoso frei holandês Rafael Zevenkoven, vigário da Igreja de São José de Muzambinho, dizia sempre no seu "sermão para a juventude", aos domingos, 8h, que ninguém podia morrer pagão.

E como eu morria de medo de ir morar naquele condomínio tão quente, resolvi "me proteger" no time do Pagão, o Santos FC.

Gabigol e Jorge Jesus no Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
E descobri o Pagão e o futebol por acaso, quando meu primo Humberto e um primo dele, Milton Vânius, estavam ouvindo Santos x Palmeiras na decisão do Super-Campeonato Paulista de 1959, já no início de 1960.

Não gostei do jogo e dos estalos da irradiação da Tupi na salinha do rádio-gaiola de minha avó Beatriz e fui chupar jabuticaba no fundo da horta.

Detalhe: jabuticaba no pé, direto, porque jabuticaba de feira é igual camisinha: até resolve, mas não é a mesma coisa.

Uns 30 minutos depois voltei para a salinha e encontrei o Humberto e o Milton tristes.

Perguntei o motivo e eles disseram: "O Santos perdeu".

Havia sido 2 a 1 para o campeão Palmeiras, de virada.

E quis saber, de curioso, de quem era o Pagão, cujo nome me chamou a atenção.

Quando disseram que Pagão era do Santos, disse então que daquele dia em diante eu seria do Santos e ficaria livre de morrer desprotegido pelo Frei Rafael Zevenkoven.

Então aí o porquê de ter descoberto esse troço chamado futebol e todos os seus atores como rádio, TV, jornal, "A Gazeta Esportiva", locutores, repórteres e comentaristas.

Não jogava nada, mas virei um dos mais obsessivos torcedores de minha terra.

Comia e dormia com o meu radinho GE de plástico creme e capa de couro marrom que ganhei de minha tia Antonia em longas prestações.

Ele foi minha universidade, companheiro inseparável.

E nele tanto ouvi Fiori Gigliotti, Flávio Araújo, Haroldo Fernandes, Jorge Curi, Alfredo Orlando, Ávila Machado, Juarez Soares, Ethel Rodrigues, Roberto Silva, Mário Moraes (o maior), Geraldo Bretas, Lucas Neto, Vitor Moran, Ênnio Rodrigues, Mauro Pinheiro e tanta gente boa.

Anos e anos ouvindo e aprendendo.

E todos eles, eu disse TODOS, criticavam os "técnicos românticos" que só pensavam em atacar.

"O único que pode só atacar é o Santos, porque só tem gênios, mas o resto tem que abandonar o 'sistema de jogo' dos índios que atacam a cavalaria americana com flechas e peito aberto contra rifles e metralhadoras do carroção", bradavam meus ídolos.

Pois o tempo passou, muitas táticas foram inventadas, como em 1974 pela Holanda, acabou o 4-2-4 bem antes e atualmente nossos analistas só elogiam os dois "apaches" Jorge Jesus e Jorge Sampaoli.

São os queridinhos da imprensa "porque são destemidos e não medrosos como Fábio Carille e outros menos votados".

Afinal, minha gente, precisamos entrar em um acordo.

O Carille, o Felipão, o Parreira, o Mano e o Milton Buzetto, lá atrás, sempre foram retranqueiros e burros, ao contrário dos técnicos "apaches" Jesus e Sampaoli, atacantes ousados?

E aí, dona imprensa de ontem e de hoje, quem escala melhor: time fechado que contra-ataca ou time flutuante que só ataca como o Flamengo e o Santos?

Urge coerência até para os gênios do microfone que estão no céu.

São os queridinhos da imprensa "porque são destemidos e não medrosos como Fábio Carille e outros menos votados".

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