Futebol não podia ser isso

ENTRE AS CANETAS: Por Ricardo Gonzalez

O que o Botafogo x Flamengo desta semana teve de emoção, de qualidade, de intensidade, até de uma boa catimba, infelizmente teve de situações condenáveis e vergonhosas em campo, e criminosas fora do estádio. Nada inédito, nada que apenas não cristalize mais a falta de esportividade generalizada e, muito pior do que isso, a falta de competência da autoridade policial para tomar conta de um evento que existe há um século pelo menos. E, fato, a tragédia de constatar que ajudamos muito pouco essa autoridade, levando para o dia-a-dia um ódio que divide o país desde, no barato, as eleições de 2014.

Em campo, a vergonha começa com o técnico Alberto Valentim tentando atrapalhar Pablo Marí, que buscava a bola para cobrar um lateral. Para ganhar 10 segundos. Como se o Botafogo não fosse grande para tentar ganhar o jogo. Muito feio, se há alguém que não pode fazer esse tipo de cera é um treinador, que deve servir de exemplo. E Pablo Mari, óbvio, mesmo com pressa, não pode sob nenhuma hipótese empurrar um treinador.



Depois, ao fim do jogo, o argentino Carli parte com o dedo em riste para cima do grisalho Jorge Jesus, que tem idade para ser pai do zagueiro. Errado e desrespeitoso sob qualquer pretexto, ainda mais se o português falou exatamente o que disse que falou: "Não adiantou bater tanto". Se tiver usado um tom mais acintoso, no máximo um atenuante para Carli, mas ainda assim é preciso respeitar os cabelos brancos de alguém.

No vestiário, o dirigente rubro-negro Paulo Pelaipe, que em sua primeira passagem pelo Flamengo havia agredido um assessor de imprensa do clube, bateu boca com Valentim. Se fosse o contrário, e o destempero partisse de alguém de um Botafogo em crise, tendo perdido para um rival diante de sua torcida, acabando de entrar na zona do rebaixamento, poderia não ser justificável, mas compreensível. Mas partindo do Flamengo? Vencedor, líder, sobrando, com as contas e salários em dia?

E por fim, o mais grave, as brigas de torcida pipocando por todos os lados. Num clássico e nas imediações de um estádio onde já tivemos, por exemplo, um torcedor assassinado com um espeto de churrasco. No Maracanã, a violência foi contida, apesar de ainda vermos um ou outro incidente no entorno. Mas no Nílton Santos, com suas ruas estreitas em volta, os espetáculos de barbárie ainda são frequentes.

Onde está a inteligência da polícia? Onde está o fim da violência prometido pelo governo do Estado, que se elegeu em cima dessa plataforma? Quando veremos alguma saltitando perto do Engenhão porque uma operação de controle de torcidas deu certo?

Isso não era para ser futebol. Mas, se formos puxando o fio de fora para dentro, veremos que o que se passou no campo é a origem dos problemas. E um retrato do que nos tornamos.

Paulo Pelaipe, que em sua primeira passagem pelo Flamengo havia agredido um assessor de imprensa do clube, bateu boca com Valentim.

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