Gol de Lincoln é prova do trabalho que tanto incomoda os rivais

ENTRE AS CANETAS: Por Ricardo Gonzalez

Claro que as vitórias com sobras sobre rivais como Palmeiras e Corinthians, que derrubaram seus treinadores, foram marcantes do momento vivido pelo pelo Flamengo. Mas o jogo contra o Botafogo, nas circunstâncias em que se desenvolveu, é absolutamente revelador das diferenças que marcam o trabalho de Jorge Jesus com relação aos demais treinadores da Série A - e que tanto incomoda a uns poucos.

Podemos começar com a intensidade do jogo. Mesmo às portas de uma final de Libertadores, mesmo sem descanso há muito tempo, o Flamengo pressionou e buscou o gol mesmo nos poucos minutos que restaram depois que o conseguiu. Não na base do chutão, da correria desorganizada, da bola rifada. Intensidade bem pensada, o que dá muito mais trabalho. Em comparação ao Palmeiras, só vi intensidade igual no jogo contra a Chapecoense. Mas ali o Verdão jogava em casa, contra o lanterna, tinha de correr atrás do Flamengo, e seria uma vergonha não ganhar. O Flamengo jogava fora de casa, um clássico, na liderança, e um empate não seria nenhuma tragédia. O lugar-comum tem sido pensar que o time "não precisava" lutar tanto pela vitória.


Outro aspecto absolutamente fora de esquadro: o gol. Primeiro pela participação de Everton Ribeiro. Ele é menos citado do que Gérson no trabalho de meio, mas por ali deu assistência para Gabigol contra o Santos, para Arrascaeta contra o CSA... Contra o Botafogo, ele estava onde Gerson costuma estar, e poderia ter dado a bola no pé de Bruno Henrique. Mas aí o atacante teria de dominar, partir para cima, podendo perder a bola ou um tempo que já era exíguo. Everton deu na frente e empurrou Bruno para a linha de fundo - fora a conclusão de raro talento de um Lincoln sem ritmo de jogo. Everton Ribeiro está gastando muito a bola.

Segundo, porque não foi um gol de 44 minutos do segundo tempo. Nessa momento, na média os times jogam a bola na área ou tentam cavar uma falta. No Flamengo de Jesus, a bola começa com Mari (que raramente passa para trás ou para o lado), chega a Renê e daí a Everton. O resto já falei. Tudo pensado, tudo treinado, tudo bem jogado. Como se fosse início de jogo ou meio de jogo. Mas eram 44 do segundo tempo...

Por fim, a antevisão e estrela de Jesus. Ouvi na redação pedidos por Diego, por Berrio... e ele me sai com Lincoln, que não jogava há tempos. E apenas faz o gol salvador. Aí vem Mano Menezes e, com total razão, em vez de admitir que todos estamos aqui para aprender diariamente, sugere que tenhamos comentaristas portugueses por aqui. Seriam muito bem-vindos e bem recebidos, assim como recebemos e acolhemos nossos queridos companheiros ex-jogadores e ex-treinadores. Só que, para alguns técnicos da ativa, é melhor deixar como está. Porque os portugueses, sem eventuais relações com os técnicos e sem a lembrança de ótimos trabalhos que ficaram muuuuito longe, a análise dos comentaristas em cima de alguns times risíveis na comparação com o Flamengo seria bastante dura.

O Flamengo jogava fora de casa, um clássico, na liderança, e um empate não seria nenhuma tragédia.

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