Para Júnior, atual Flamengo faria frente ao time de 1981

GLOBO ESPORTE: Jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra; presente nas maiores conquistas da história do clube; ex-treinador do time e ex-dirigente da instituição; e, acima de tudo, ídolo da torcida. Se tem alguém que pode falar com propriedade sobre o últimos 40 anos do Flamengo, esse alguém é Junior.

Nessa semana, o comentarista do Grupo Globo se encontrou com o atual dono de sua posição para gravação de reportagem do Esporte Espetacular e passou dicas. O cenário foi sugestivo: a sala de troféus da Gávea.

No local, Junior recordou para Filipe Luís os bastidores de alguns títulos. Obviamente, diante da taça, o tema principal foi a Libertadores, competição que o camisa 16 decide daqui a duas semanas com o Flamengo, após 38 anos da última final.

Sem titubear, Junior fez uma surpreendente declaração, ao comparar o atual Flamengo com o time campeão mundial em 1981:



- Depois de 38 anos, temos uma possibilidade grande de conquistar essa Libertadores. Temos um grupo com o pessoal de 1981 e estamos sempre conversando sobre essa possibilidade. O time de hoje talvez seja o que mais se assemelha em termo de jogo e espírito daquela equipe.

- Se você pegar o Zico e colocar no time de hoje, o atual Flamengo ganharia do nosso. Foi o Zico que fez a diferença durante muito tempo. Todos os outros acho que podemos colocar no mesmo nível. A diferença entre os times é o Zico, que era a cabeça.

Aos 34 anos, 14 deles no futebol europeu, e uma Copa do Mundo no currículo, Filipe Luís confessou estar emocionado com o encontro. Rubro-negro desde criança, o lateral evitou comparações com a equipe e 1981.

- É a primeira vez que estou nervoso desde que cheguei ao Flamengo. Emoção muito grande, só quem é flamenguista sabe o que representa esse momento como fã, ao lado do Junior.

- Ouvimos muitas comparações, e às vezes até acho um pouco de falta de respeito com o Junior. Tem poucos meses que estou no Flamengo. Ainda não fiz nada, não conquistamos nada ainda. Ainda falta muito. E aquele time que conquistou a primeira Libertadores era muito especial. A primeira sempre é muito diferente.

Durante um bate papo de mais de uma hora, os dois falaram sobre passado, presente e futuro. Libertadores, Jorge Jesus, River Plate e até Liverpool foram temas. Confira abaixo alguns trecho e veja acima a reportagem completa do Esporte Espetacular.

Libertadores
Filipe Luís: Como foi a chegada de vocês com esse troféu (da Libertadores) no Rio de Janeiro, em 1981?

Junior: Primeiro, vivemos em Montevidéu, pós-conquista, uma noite muito especial por tudo o que passamos. Na volta ao Rio, tem um vídeo do Leandro cantando em cima do carro do Corpo de Bombeiros o hino do clube. Ali reflete todo o sentimento e tudo o que gostaríamos de ter feito.

Mundial contra o Liverpool?
Junior: O Mundial teve um sabor mais do que especial. Nós conhecíamos o Liverpool, que tinha derrubado Real Madrid e Barcelona. Eles não nos conheciam, e o jogo acabou em 45 minutos. Nem nós acreditamos que aquilo estava acontecendo.

Filipe: Não antecipamos o pensamento no Mundial. Cada história é uma partida diferente. E a história ainda vai ser escrita. Como o Júnior falou, temos que esquecer brigas, colocar a bola em jogo e merecer vencer. Não importa o dia, o ano...

- Quem estiver melhor, vai vencer. É outro Liverpool, é outro Flamengo, é outro River, é outra história.

River Plate
Filipe Luis: Essa experiência do River em finais está a favor deles. Mas cada jogo é diferente. Nosso time é experiente, com jogadores acostumados a jogar finais e com uma ambição desse troféu única. Está completamente aberta essa final. Eles estarão mais preparados nesse sentido, mas tecnicamente temos que ser superiores.

Junior: Lembrando que esse time do River tem algumas característica semelhantes ao Flamengo. Se o River tem experiência em Libertadores, esses caras tem experiência de jogar Champions League e Liga Europa. Isso acaba nivelando. Mas precisa existir um respeito muito grande. O Marcelo Gallardo é um treinador de ponta.

Jorge Jesus
Filipe Luís: No começo, ele ficava meio assim de me corrigir taticamente, até pelo fato de eu já ter 34 anos. Mas eu pedi para ele me corrigir, pois eu jogava da forma do (Diego) Simeone há oito anos. Talvez eu precise mais do que todos os outros de correções. Vim com a mente aberta, e ficou tudo mais fácil.

Conquista da Libertadores em 1981
Junior: Até chegarmos à conquista dessa taça, não teve somente a parte futebolística. Na final, contra o Cobreloa, foram três partidas. A primeira, em Santiago, foi impressionante: o Adílio com a orelha cortada, o Lico com o supercílio arrebentado... Eles apelaram para um lado que não era nosso lado. Quando acabou o jogo, o Carpegiani (técnico em 81) imediatamente pediu para esquecermos a revanche de violência e jogarmos futebol.

Sem titubear, Junior fez uma surpreendente declaração, ao comparar o atual Flamengo com o time campeão mundial em 1981.

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