Vitinho fala de pressão, títulos, estrutura e Jorge Jesus

O DIA: Por Venê Casagrande

Desde que retornou ao futebol brasileiro, Vitinho convive diariamente com o peso de ter custado 10 milhões de euros, o que deixa o jogador, torcedor confesso do Flamengo, seu atual clube, ansioso para mostrar serviço. O tempo passou, críticas vieram, mas o "sonho de moleque" serviu de combustível para o atacante não desistir e continuar na saga para provar que vale o esforço feito pela antiga gestão.

Tudo bem que Vitinho não é titular na equipe de Jorge Jesus, mas o camisa 11 é o quarto artilheiro do time na temporada, com oito gols, além de ter dado quatro assistências. Aos poucos, o atacante vai buscando o seu espaço e mostrando o seu valor.

Vitinho e Renê comemorando gol do Flamengo - Foto: Alexandre Vidal
Perto de completar uma temporada e meia no Rubro-Negro e com grandes chances de conquistar o Brasileirão e a Libertadores, Vitinho concedeu entrevista ao O Dia. O camisa 11 não fugiu da raia e respondeu as perguntas com personalidade. Durante os quase 30 minutos de bate-papo, ele fez um balanço do tempo em que está no clube, disse se achou justas as críticas que recebeu na fase ruim, projetou seleção brasileira, comparou a gestão antiga com a nova, elogiou Jesus e garantiu: "Todos vão ver que valeu muito a pena o Flamengo ter me contratado".

Balanço do período em que está no Flamengo:

"Eu acho que todos tinham um sentimento que eu poderia chegar e dar um retorno que o Flamengo esperava. Eu cheguei na expectativa de ir bem, mas acabou que no primeiro momento aconteceu de uma maneira que não esperava. Agora, eu tenho evoluído bem, tenho tido mais oportunidade, e acho que estou começando a apresentar um bom futebol.

Chegar no meio de temporada atrapalhou o seu rendimento no início?

"Eu acho que sim, pois era pouco diferente. Eu estava em fim de temporada. Foi tudo muito intenso. Eu já cheguei jogando. A minha alegria era tanta que acabei atropelando essas coisas para jogar. No primeiro momento, eu não saí tão bem, mas acho que foi uma experiência para me deixar mais forte e eu aprendi muita coisa com o que aconteceu."

Você sentiu mais do que o normal as críticas que recebeu por parte de muitos torcedores?

"Isso é normal. A gente sente. Eu acabei levando para o lado íntimo e pessoal, mas também serviu como combustível para eu continuar dando a volta por cima.

Você achava justas as críticas que recebia por ser introvertido e sem raça?

"Acho que... (silêncio) o meu momento não era bom. As pessoas vão querer, no momento ruim, achar algo para criticar. Tenho certeza que essas coisas vão passar, tudo vai mudar e todos vão ver que valeu muito a pena o Flamengo ter me contratado. Esse é o meu desejo. Tudo vai se encaixar e todos nós seremos felizes."

Tem feito um trabalho especial tanto dentro do clube quanto fora para deixar de ser introvertido?

"Eu tenho procurado estar mais focado e atento. O mais importante é deixar o meu jogo fluir e não me preocupar tanto com resultado, o que pesou em muitos momentos. Eu ficava com muita vontade de fazer gol, dar assistência e ir bem, mas não conseguia e acabou me deixando frustrado e, consequentemente, o meu desempenho caiu. O Mister tem conversado comigo para não carregar essa pressão. Além disso, os familiares e amigos têm me ajudado bastante nesse sentido."

Tem como mensurar o quão importante pode ser conquistar o Brasileirão e a Libertadores pelo time do seu coração?

"Vai ser importante demais. O título de mais expressão na minha carreira. Está muito próximo. Eu tenho procurado não trabalhar em função disso, mas busco continuar ficar entre os quatro artilheiros da equipe. Isso me motiva demais."

Você, até o ano passado, era a contratação mais cara da história do clube. Arrascaeta tomou esse posto em 2019. Acha que em breve o Flamengo terá outro jogador "mais caro da história"?

"Do jeito que o Flamengo está indo bem e as proporções isso passa a ser um assunto que não deve ser pensado (risos). A gente vê que o Flamengo está focado demais em trazer jogadores qualificados. Eu espero que venha, para a gente é muito bom."

Você já se pegou pensando e sonhando em fazer gol dos títulos do Brasileirão e da Libertadores?

"Claro (risos). Não só, mas toda a equipe. A gente está perto de ficar na história do Flamengo. O mais importante é conquistar os títulos. Não importa quem faça o gol. Esse é o nosso desejo. Temos um propósito só: ser campeão. Estamos muito focado nisso."

É o grupo mais unido que você já participou na sua carreira?

"Com certeza. Isso vem desde o ano passado. A maneira como todos nós conduzimos tudo foi sensacional. O que vivencio aqui é totalmente diferente do que tive na minha carreira. O que passo aqui me ajudou a ser uma pessoa melhor. É tudo muito profundo. Vou guardar para o resto da minha vida. Quero seguir esses exemplos. Sempre usar as palavras certas nas horas certas."

Qual jogador que mais te ajudar aqui dentro?

"Renê e Arão me ajudam muito. O Filipe Luís também... ele chegou agora, mas sempre fala para para eu ir para cima porque sou f#@%. O Diego Alves... o Diego (Ribas), o Marí é outro que sempre vem sorrindo e diz que sou bom. Isso é muito gratificante. Muito bom viver com pessoas que querem o meu bem."

O Flamengo tem estrutura de clube europeu e oferece tudo de melhor para os jogadores. Isso faz com que vocês não pensem em voltar para o Velho Continente?

"Não... o Flamengo tem uma estrutura fora do comum e a melhor que já tive na minha carreira. Mas não sabemos o que vai acontecer no futuro. Hoje penso em fazer o meu melhor aqui. Em algum momento pode surgir algo de fora. Eu penso no agora. O Flamengo nos dá uma visibilidade que podemos chegar à Seleção. Mas isso é bom para evoluir o futebol brasileiro."

Você chegou no ano passado e viveu a mudança e transição de diretoria. Você vê diferença da gestão passada para essa?

"Eu acho todos os caras que tiveram aqui no ano passado tentaram fazer o melhor, mas o que estão agora também. Na maior parte do tempo todos tentaram de tudo para conseguir sucesso, mas analisando os números vão achar que essa gestão é melhor. Não podemos tirar o prestígio dos outros e puxar saco dos que estão agora. Todos se esforçam ao máximo para nos ajudar.

Qual é a influência de Jesus e seu estafe para ajudar na sua evolução?

"Ele foi um cara impactante. Ele mudou o nosso jeito de pensar e o nosso comportamento em campo com as suas ideias. Ele mostra como pode ser diferente o futebol para nós. Todos que vieram com ele têm essa ideia. Ele tem um jeito intenso e os demais são atentos. São pessoas fantásticas. São caras que nos deixam bem para trabalhar diariamente e melhor fisicamente e psicologicamente. Os números são fantásticos e estamos aqui para ir até o final com ele."

Jesus é o melhor treinador que você já trabalhou?

"Ele trouxe um jeito diferente de ver o futebol. Os resultados mostram que ele é incrível. Eu nunca tinha vivido algo desse tipo. Quero ser grato a todos os treinadores que tive. É difícil falar quem é o melhor, mas o que trouxe mais resultado certamente é ele."

Jesus não estará em campo contra o Bahia. João de Deus será o homem na beira do campo. Qual é a importância do "Deus" por trás do trabalho de "Jesus"?

"A mudança não é muito grande. O João é um cara mais tranquilo e atencioso, e o Mister é intenso. Ele vê o que a gente pode fazer e cobra por isso. Os dois têm o trabalho em conjunto. O João certamente vai comandar a gente bem porque ele tem um ótimo professor (risos).

Tenho certeza que essas coisas vão passar, tudo vai mudar e todos vão ver que valeu muito a pena o Flamengo ter me contratado.

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