Distância do Fla pro Cruzeiro é a mesma do Liverpool pro Ceará

ENTRE AS CANETAS: Por Ricardo Gonzalez

Qual é o grande time do ano no Brasil? No meio da pergunta tenho certeza de que na mente do leitor já veio o nome do Flamengo. E qual foi o pior entre os grandes do país? Da mesma forma, não é preciso chegar ao ponto de interrogação para o nome do Cruzeiro surgir com força. Há muitos anos não havia tamanhas distância e unanimidade - se é que houve um dia - entre melhor e pior numa temporada. O ano do Flamengo é para botar na moldura, o do Cruzeiro, só com o que aconteceu até esta quarta-feira, é para nunca mais ser repetido.

O que o Flamengo conseguiu já foi cantado e decantado em prosa e verso. Mas é importantíssimo lembrar que o 2019 não perfeito até aqui em virtude da tragédia dos meninos do Ninho do Urubu - que não pode jamais ser esquecida. Pelas vidas dos jovens atletas, que não há indenização que traga de volta, e pela postura enviesada da diretoria, que já deveria ter fechado com as famílias como o Flamengo vai pagar por essa catástrofe. Mas esportivamente foi irretocável. Até Flórida Cup, com Abel Braga, o time ganhou.


E do Cruzeiro também suas mazelas já foram mais do discutidas, da polícia tendo de interferir nas contas do clube, denúncias, a jogadores derrubando técnicos, técnicos abandonando o barco no meio da tempestade, e a perspectiva concreta de um inédito rebaixamento à Série B.

O que chama a atenção é que os dois extremos ainda podem se afastar mais este ano. O Flamengo pode ser campeão do mundo, o que seria um sonho dourado para seu torcedor, e levaria os principais jogadores a um patamar de idolatria comparável à geração de 1981- Zico e Júnior à parte.

E o Cruzeiro tem dois caminhos ruins. O pior, óbvio, é o rebaixamento - e para o torcedor esse é o que não pode acontecer. Mas mesmo que o time salve, haverá um efeito colateral lamentável que é muito acharem que Zezé Perrela foi quem salvou o time. Um dirigente anacrônico que me remete ao futebol dos anos 80, em que se contratavam treinadores "de boca", puniam-se jogadores que se divertiam na folga (mesmo não pagando o salário deles em dia). Ele vai capitalizar a permanência, quando, se o Cruzeiro não cair, quem o terá salvo foram os jogadores que enfrentarem Grêmio e Palmeiras, o técnico Adílson Batista, e principalmente, a diretoria do Ceará, que demitiu Adílson - e se o Cruzeiro escapar significa que Adílson rebaixará o Ceará (vai ser muito bem feito para a direção alvinegra, pena que só quem sofre com isso é o torcedor).

A distância entre Flamengo e Cruzeiro em 2019 é do tamanho da distância dos times que estão no caminho deles para fechar o balanço do ano, Liverpool e Ceará.

O ano do Flamengo é para botar na moldura, o do Cruzeiro, só com o que aconteceu até esta quarta-feira, é para nunca mais ser repetido.

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