Estudo aponta o Flamengo como o maior clube brasileiro


Entre os anos de 2013 e 2014, o antigo Blog Teoria dos Jogos enveredou-se numa empreitada bem-sucedida: a criação de um painel que refletisse como o mercado, na forma de alguns de seus mais influentes agentes, enxergaria os 12 principais clubes do futebol brasileiro.

Agora, de casa nova, a edição 2019 da iniciativa está no 3º Painel de Percepção de Mercado – Torcedores.com. Trata-se de um prospecto do valor associado à marca das principais agremiações brasileiras com base nas opiniões de especialistas em gestão, marketing e mídia esportiva.

Abaixo, seguem os critérios. São sete parâmetros para os quais seis especialistas atribuem notas de 1 a 5:

- Exposição em mídia
- Poder de compra da torcida
- Potencial de crescimento (Em receitas e em tamanho da torcida)
- Penetração nacional
- Credibilidade institucional
- Resultados esportivos (Últimos 5 anos)
- Peso histórico (Tradição)                    

Novo CT do Flamengo - Foto: Paula Reis
Como prova do dinamismo da relação de forças do futebol brasileiro, nas duas primeiras edições o Painel elencou apenas os considerados “12 grandes” – quatro de São Paulo e Rio, dois de Minas e Rio Grande do Sul. Trata-se de um recorte anacrônico.

Como ignorar, por exemplo, a vertiginosa ascensão do Athletico Paranaense, atual campeão da Copa do Brasil, anteriormente coroado na Copa Sul-Americana? Ou mesmo do Bahia, clube criativo e cada vez mais sólido no cenário nacional?

Por conta disso, optou-se por incluí-los na planilha de votação, consciente do cometimento de injustiças contra outras importantes equipes da Série A (ou mesmo da B). Infelizmente, a matriz de resultados ficaria exagerada caso todos os protagonistas fossem contemplados.

Convidados da edição 2019:

Armenio Neto – Diretor executivo da Hunter Sports

Bernardo Pontes – Gestor e Professor MBA Marketing Esportivo no IBMEC, Trevisan e CBF Academy

Mauro Beting – Jornalista esportivo e comentarista dos canais Turner/Esporte Interativo

Pedro Daniel – Diretor Executivo da Ernst Young

Rodrigo Capelo –Jornalista especializado em negócios do esporte do Grupo Globo

Thiago De Rose – Consultor em gestão de arenas da Revenue

O ordenamento acima é meramente alfabético, não sendo o mesmo apresentado dentro dos boxes a seguir. Trata-se de uma forma de preservar opiniões frente a leitores e a relação dos profissionais com os clubes avaliados.

Parâmetro nº 1: EXPOSIÇÃO EM MÍDIA


Nível de estabilidade: médio. Passível de modificações por conta de bons resultados.

Soa unânime, no mercado, alguma equivalência entre Flamengo e Corinthians no patamar máximo de exposição em mídia. Ambos receberam nota máxima (5) de todos os jurados.

Enquanto o atual campeão de tudo possui a maior e mais espalhada torcida do país (o que se reflete no perfil de suas transmissões), o time paulista colhe os louros da hiperexposição em São Paulo, maior economia e sede do mercado publicitário e midiático. Até por isso Palmeiras (4,17) e São Paulo (4) puxam uma fila que, só então, contempla o Vasco da Gama (3,5). Demais clubes surgem enclaustrados numa faixa entre 3,17 e 2,33.

Parâmetro nº 2: PODER DE COMPRA


Nível de estabilidade: alto. Modificações com mudanças macroeconômicas ou aumento da penetração nacional.

Importante ressaltar que este é um parâmetro relacionado à torcida, e não ao clube. Insuflado pelos resultados esportivos fabulosos da temporada 2019, o Flamengo surge mais uma vez na liderança (4,67) – algo que não foi verificado em Paineis anteriores.

Quem também galgou posições, a ponto de estar nos calcanhares do Rubro-Negro, foi o Palmeiras (4,5), clube reconhecido pela propensão ao consumo de uma hoje elitizada torcida. Estreante nas análises, porém prejudicado pela incipiência do mercado nordestino, o Bahia vem na última posição, com média 2. Ainda assim uma posição honrosa, se considerado que o Botafogo auferiu nota pouco superior (2,17).

Parâmetro nº 3: POTENCIAL DE CRESCIMENTO


Nível de estabilidade: médio. Passível de modificações por bons resultados, exposição em mídia e/ou surgimento de ídolos.

Há um parâmetro controverso, muito impactado por diferentes interpretações. Um clube que se encontre no auge em termos de resultados ou que já detenha torcida numerosa/espalhada teria margem de crescimento? Ou estaria próximo do teto?

Esta seria a razão do achatamento das notas, todas abaixo da média 4. E do surpreendente empate do Flamengo com o Athletico Paranaense na liderança do quesito (3,83). Faz sentido, se considerar um clube com passado recente tão vencedor mas um perfil ainda local, liderando a tábua de torcedores apenas no entorno de Curitiba. O Furacão teria, portanto, muitas fronteiras por conquistar em seu próprio estado.

Parâmetro nº 4: PENETRAÇÃO NACIONAL


Nível de estabilidade: médio/alto. Caráter relativamente estático da configuração nacional de torcidas. Função do potencial de crescimento.

Se o parâmetro anterior era altamente interpretativo, este é o contrário. Sendo assim, não restam dúvidas quanto à capilaridade do Flamengo, líder com nota máxima (5). O mesmo se aplica à segunda colocação do Corinthians (4,17), atualmente mais nacional do que o próprio Vasco (4), segundo pesquisas. Clubes de característica mais regional, como mineiros e gaúchos, encontram-se todos iguais ou abaixo dos padrões de Botafogo (2,33) e Fluminense (2,17). Coerência maior, impossível.

Parâmetro nº 5: CREDIBILIDADE INSTITUCIONAL


Nível de estabilidade: baixo. Mudanças de diretoria geram alterações significativas – para melhor ou pior.

Avaliação reveladora. Digna de aplausos a liderança mais uma vez compartilhada por Flamengo e Athletico (4,5), bem como a posição de destaque de Grêmio e Bahia (4,33). Mas onde realmente devemos mirar neste parâmetro é a parte de baixo.

Frequentador das páginas policiais, num enredo concebido ao fracasso e que culminou num impensável rebaixamento, o Cruzeiro surge como clube de menor credibilidade institucional do país (1,17), com nota bastante próxima ao mínimo (não são consideradas notas zero no levantamento).

Outros também vão mal – geralmente cariocas. São os casos de Botafogo (1,5), clube em situação pré-falimentar, e Vasco (1,67), caldeirão político em constante tentativa de reerguimento.

Parâmetro nº 6: RESULTADOS ESPORTIVOS


Nível de estabilidade: baixo. Uma única equipe pode “virar o fio” e trazer resultados cobiçados há anos. Ou levar um clube aonde sempre rezou para não estar…

É preciso confessar que a primeira versão deste Painel foi distribuída aos jurados antes do desfecho das maiores competições da temporada. Isto demandou atualização assim que o Flamengo unificou, de maneira inédita, os títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores.

De qualquer maneira, o parâmetro “Resultados Esportivos” não se refere apenas à época vigente, mas às láureas em todas as cinco últimas. Deste modo, um empate triplo entre Athletico, Grêmio e Flamengo ocorre no entorno da nota 4,67, tendo o Palmeiras (4,5) em seus calcanhares. Fluminense e São Paulo (1,33), sem qualquer título no período, são os piores.

Parâmetro nº 7: PESO HISTÓRICO


Nível de estabilidade: alto. Grandes clubes são (e serão) grandes clubes.

“Peso histórico” é o parâmetro relacionado a tradição, títulos no prazo maior que cinco anos, importância social, cultural, etc. Não se cabe avaliar a forma particular com que os clubes são enxergados pelo júri. Resta apenas expor que a primeira colocação ficou com o Corinthians (4,83), com um tríplice empate entre Santos, Flamengo e Palmeiras no segundo lugar (4,67).

Antes da apuração dos votos, cabe resgatar os resultados do 2º Painel (2014), para que fiquem claras as mudanças às quais o futebol brasileiro se submete no intervalo de meia década:

Flamengo – média 4,27
Corinthians – 3,96
São Paulo – 3,57
Palmeiras – 3,37
Cruzeiro – 3,29
Grêmio – 3,18
Santos e Atlético-MG -3,16
Internacional – 3,08
Vasco e Fluminense – 3,06
Botafogo – 2,84

E agora, finalmente, a média dos votos do 3º Painel de Percepção de Mercado – Torcedores.com:

O Flamengo se consolida na liderança entre as marcas mais valiosas (4,62), ampliando para 0,43 pontos a diferença para o segundo colocado. O ocupante deste posto também é novo: trata-se do Palmeiras (4,19), numa impressionante escalada desde a quarta colocação do Painel anterior.

Ainda que o Corinthians (4,05) tenha perdido a vice-liderança para o arquirrival, sua pontuação absoluta aumentou, mantendo-o em patamar semelhante ao dos líderes. Algo que não se aplica mais ao São Paulo (3,31), agora quinto no geral.

A quarta posição do Grêmio (3,67), totalmente descolado do Internacional (2,95, em oitavo) vem coroar um período de títulos e boa gestão pelos lados do Sul. Prova disso é a fantástica sexta posição ocupada pelo Athletico (3,14), clube que há cinco anos tornava sem sentido sua inclusão no ranking.

O outro estreante, Bahia (2,69), angariou o 11º, logo abaixo do Santos (2,88) e à frente do tradicional Atlético-MG (2,64), que começa a ver seu período vitorioso se esvaecer no horizonte. Que é belo, mas fez o Cruzeiro (2,90) de tantos desmandos despencar de quinto para nono.

Por fim, o Vasco (3,02), que praticamente manteve a nota mas subiu no ranking. Enquanto a dupla Fluminense (2,31) e Botafogo (2,10) segue segurando lanternas, diminuindo notas e preponderância no cenário nacional.

O ordenamento acima deve ser interpretado como o ranking das marcas mais valiosas do futebol brasileiro segundo percepção pontual dos especialistas. Já as notas seriam um número-índice da proporcionalidade entre os clubes.

Sendo assim, um aporte hipotético de R$ 46,2 milhões ao Flamengo equivaleria a um valor de R$ 41,9 milhões pela camisa do Palmeiras, de R$ 40,5 milhões ao Corinthians, e assim sucessivamente.

Paralelamente, para se descobrir quanto uma marca valeria mais que a outra, basta fazer a divisão dos índices. Um exemplo: São Paulo (3,31) e Santos (2,88).

3,31/2,88 = 1,15 (valor 15% superior)

Portanto, um aporte hipotético de R$ 10 milhões ao Santos equivaleria à destinação de R$ 11,5 milhões ao São Paulo (10 x 1,15). O mesmo cálculo pode ser aplicado a qualquer dupla presente na relação.

Trata-se de um contraponto ao famoso equívoco de que “uma torcida dez vezes maior deveria receber valores dez vezes superiores”. Tanto não funciona que a diferença do Flamengo (primeiro) para o Botafogo (último), ainda que crescente, é de apenas 2,2 vezes.

* A proposta do Painel é fazer uma captação anual dos humores do mercado, cumprindo ainda um papel didático no tocante à forma como as marcas são percebidas e avaliadas.

O Flamengo se consolida na liderança entre as marcas mais valiosas (4,62), ampliando para 0,43 pontos a diferença para o segundo colocado.

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