Flamengo mostra o caminho a ser seguido no futebol brasileiro

ESTADÃO: Robson Morelli

Uma tendência para as próximas temporadas no futebol brasileiro é a redução do dinheiro movimentado pelos clubes, salvo um ou outro que consiga parceria diferenciada. De modo geral, todo o dinheiro no futebol está caindo, das cotas de TV aos patrocinadores principais. Por isso que os clubes estão se diversificando em suas transações. As bilheterias ganharam força e os times que conseguirem lucrar R$ 2 milhões por jogo em casa vão festejar. Não é fácil.

O Corinthians, por exemplo, precisa desse dinheiro para continuar pagando seu estádio em Itaquera. A própria TV anda cobrando mais qualidade e repensando o dinheiro pago para as equipes por entender que o “espetáculo” já não vale tanto assim. O futebol brasileiro vai continuar, no entanto, vendendo jogadores, seu principal produto. Ocorre que os clubes de fora, principalmente os europeus, buscam agora na base, e pagam menos por isso. Um jogador que ainda vai vingar vale menos do que um profissional já consagrado. Mesmo assim, oferecem cifras que fazem os presidentes brasileiros se coçarem, tamanha a vontade de assinar o negócio. O São Paulo recusou nesta semana R$ 70 milhões por Antony, que até outro dia era reserva. O clube do Morumbi entende que pode conseguir um pouco mais por ele.

Jogadores do Flamengo no Mundial - Foto: Divulgação

Patrocinadores eventuais vão entrar no mercado com mais força. São aqueles que fazem promoções em um ou outro jogo. Parceiro principal não paga mais do que R$ 2/3 milhões por mês. O Palmeiras ainda conta com a Crefisa, que promete não deixar o clube até que ele ganhe a Libertadores e o Mundial. Sua dona, Leila Pereira, quer ser presidente e aí vai ser preciso analisar a parceria novamente. Pode haver conflito nos interesses das partes. Alguma coisa nesse sentido está sendo costurada. Os clubes endividados devem apoiar o clube-empresa e assim ter mais tempo para renegociar suas dívidas.

O Flamengo provou nesta temporada que organizar as finanças é importante para ter sucesso dentro de campo. O Cruzeiro provou a mesma coisa, mas de forma contrária. O clube virou uma bagunça e caiu.

Os treinadores terão de trabalhar mais para conseguir melhor entrosamento, de modo a aplacar a fragilidade de alguns elencos. O Santos fez isso na temporada 2019. Com grupo modesto, obteve na maneira de jogar e de treinar superar a desconfiança de seu elenco, modesto diante da maioria dos rivais do Campeonato Brasileiro. Não há grandes jogadores no Brasil atualmente. Tirando uma meia dúzia, a maioria no Flamengo, os atletas são todos nota 5 ou 6. Muitos não jogariam nem na Série B. O torcedor talvez não esteja mais a fim de pagar para ver jogadores desse nível. Ele continua gostando de futebol e do seu time, claro, mas sabe o que está “comprando”. Aliás, todos no futebol sabem o nível da entrega.

Há a expectativa de que tudo melhore, mas não será de uma hora para a outra. O Flamengo deixou um caminho para ser seguido. Se meia dúzia de clubes seguir esse traçado, já estará de bom tamanho.

O futebol brasileiro precisa gastar menos dinheiro, guardar mais, investir mais nas bases e nas revelações, e só assim conseguirá sobreviver e alegrar seu público. Não seria demais imaginar que a TV aberta, como a Rede Globo, comece a apostar no futebol europeu em sua grade de fim de semana, abrindo espaço para jogos que todos nós gostamos de ver em detrimento de partidas do Campeonato Paulista ou mesmo do Brasileirão. Não seria demais supor que a TV, aberta ou fechada, passasse apenas alguns jogos daqui e abrisse espaço para o futebol internacional, em novas parcerias e contratos. Dos 380 jogos do Brasileirão, tenho certeza que mais da metade não nos faria falta alguma.

A TV faz uma revisão do futebol e do que paga por ele. O streaming chegou para ficar. Há outras maneiras de consumir esporte. O Brasil está muito atrasado nisso e entrega um produto que não nos agrada mais como antes. Nem a seleção brasileira tem mais audiência ou interesse como tinha antes. Os clubes também passarão, em breve, a negociar suas próprias TV, redes sociais e demais ferramentas de transmissão. Não estamos longe disso. Caberá aos meios de comunicação independentes o papel que sempre lhes pertenceu, o da crítica, da comparação, da informação negada oficialmente, da leitura mais aprofundada… 2020 só está começando.

Aproveito para informar que saio de férias e volto no meio de janeiro. Bom ano a todos!

Se meia dúzia de clubes seguir esse traçado, já estará de bom tamanho.

Postar um comentário

[facebook]

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget