A torcida do Flamengo entendeu o seu papel, o clube não

GLOBO ESPORTE: Por Maurício Saraiva

Aqui vai um entusiasmado elogio às torcidas organizadas do Flamengo que tomaram a iniciativa de pressionar a direção do clube a agir de outra forma em relação às indenizações às famílias dos meninos mortos no Ninho no Urubu há um ano.

Cada vez que ouço uma entrevista de dirigente do Flamengo, sinto um misto de choque e constrangimento. A cruel frieza com que parecem regatear o preço da vida humana é inaceitável. Repugnante.

A torcida do Flamengo deu espetáculo sábado no minuto de silêncio pela data. Agora, as organizadas prometem manifestação para deixar claro o quanto são contra o modo iceberg que a direção adotou para tratar o tema que é a única nuvem de tempestade no céu azul do Flamengo.

Homenagem da torcida do Flamengo aos Garotos vítima da tragédia no Ninho - Foto: Alexandre Vidal
Rodolfo Landim, em mais um desastre recente de entrevista, disse que o Flamengo se recusa a pagar absurdos por indenizações. Defina absurdo, presidente. Certamente, a proposta original do Ministério Público - 2 milhões de reais por família e 10 mil por mês até a data em que os meninos completariam 45 anos - não é absurda e muito menos capaz de falir o Flamengo.

Pelo contrário; embora nenhum valor compense as vidas perdidas, a saúde financeira do clube não seria abalada, absolutamente, por valores como estes. Por obra e graça da competente gestão que realiza, a direção do Flamengo vê a receita crescer ininterruptamente.

No marketing ou na presença maciça da torcida no estádio, na visibilidade da marca que transforma a camiseta do Flamengo em algo cobiçado por qualquer empresa que pretenda ser bem-sucedida. Com dívidas pactuadas e responsabilidade de gestão - e aí, enfim, um enorme elogio à atual direção flamenguista -, o bom momento do clube não é fruto do acaso e sinaliza se perpetuar, desde que as próximas gestões tenham a mesma sensatez desta e da anterior.

É justamente esta competência de gerir que permitiria à direção do Flamengo agir de outra forma e terminar com este flagelo às famílias que perderam filhos e ao nome do clube, que está exposto no mundo pela demora na solução que já poderia ter sido encontrada.


Entre os tristes argumentos que já ouvi de gente representando a direção, um dos piores é a ausência de garantias de que todos os meninos vingariam como jogadores profissionais. Que infeliz raciocínio! Não é este o ponto.

A questão é que pais e mães entregaram seus filhos para que dormissem debaixo de outro teto que não suas casas na presunção de que acordar com vida seria a lógica para eles. Se o Flamengo não foi capaz de garantir esta condição básica, seus dirigentes não deveriam passar esta clara e constrangedora impressão de que regateiam o valor de vidas perdidas.

Não foi esta direção? Não, não foi e não faz diferença. A questão aqui é salvaguardar a imagem do clube mais querido do país, que vai sendo arranhada a cada nova declaração gelada de um dirigente.

Por isso, meu aplauso de pé às organizadas e à torcida do Flamengo de modo geral. Se a torcida agir assim, do tamanho da grandeza do clube, acabará por obrigar seus dirigentes à uma correção de rumos na postura gélida que ostentam. Parabéns, organizadas, parabéns torcedores e torcedoras do Flamengo. Vocês, sim, representam o campeão da América.

Parabéns, organizadas, parabéns torcedores e torcedoras do Flamengo. Vocês, sim, representam o campeão da América.

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