Especialista exalta nível de sincronia tática da defesa do Flamengo

PAINEL TÁTICO: Por Leonardo Miranda

Os “coaches”, profissionais de desenvolvimento pessoal, sempre dizem que é preciso sair da zona de conforto para se dar bem na vida. Superar o que já foi feito e se reinventar sempre. A dica vem sendo seguida pelo Flamengo, que mostrou um jeito de jogar bem diferente do usual nos dois jogos da Recopa, contra o Independiente del Valle. Um time mais defensivo, com mais contra-ataques, e ainda assim rico em ideias.

Boa parte dessa postura foi uma imposição do Del Valle, que é um excelente time e não mudou o jeito de jogar. No Equador, obrigou o Fla a e se postar na defesa. No Maracanã, aproveitou a expulsão de Arão e avançou praticamente por 60 minutos. O Flamengo foi muito bem nesses dois contextos.

A primeira ideia que fica clara nesse Flamengo defensivo é a compactação. Estar compactado é estar junto, na mesma faixa de campo. Quanto mais jogadores nessa mesma faixa, melhor, porque é mais gente para roubar a bola do adversário.

Compactação do Flamengo para jogar sem Arão, expulso — Foto: Leonardo Miranda

Só que estar compacto não é só estar junto. É estar fazendo a mesma coisa. Todo mundo precisa pensar da mesma forma pra jogar coletivamente. Por isso o time do Flamengo olha para quem está com a bola e tenta adivinhar a jogada. É um passe ou um cruzamento? Quando todo mundo pensa na mesma coisa, o tempo de reação para a resposta daquilo é bem menor.

Flamengo foi compacto no Equador também — Foto: Leonardo Miranda

Outra ideia que fica clara é a pressão na bola. Pressionar a bola nada mais é do que cercar o adversário pra tirar o tempo e o espaço que ele tem de jogo. Se você pressiona um jogador com dois do seu time, as chances de retomar a bola e dificultar pra ele são maiores, como aqui.

Flamengo sempre pressionava a bola para tirar espaços do Del Valle — Foto: Leonardo Miranda

Parece fácil, mas pressionar a bola é uma coisa muito coletiva. Quem está perto, não importa se é atacante ou meia, precisa ter a rapidez de pensamento pra sair do lugar e ir cercando. E o resto do time precisa se ajustar a isso ao mesmo tempo. No caso do Flamengo, é a linha de defesa que tem o maior trabalho: precisa estar sempre alinhada, juntinha e olhando para a bola.

Fla pressiona e dá espaço entre as linhas. Proposital ou não? — Foto: Leonardo Miranda

Esse alinhamento tem como único objetivo fazer com que o time do Flamengo sempre diminua o espaço. Esse é o preceito fundamental numa marcação por zona: você marca o espaço e não o jogador. Se você olhar bem, vai ver que o Fla parece dar um enorme espaço entre as linhas. Isso parece ser um problema, não?

Na verdade não é. É programado pelo conceito de bola coberta e bola descoberta. Esse espaço está sendo controlado pela linha de defesa, que como está alinhada, vai andando junto conforme a bola rola. Isso mesmo: ela se movimenta de forma sincronizada. Se o adversário tem espaço e está livre, eles avançam. Assim, fazem os atacantes ficarem em impedimento se recebem essa bola. Aqui você consegue ver Filipe Luís já olhando pro jogador livre e avançando. A linha de defesa faz o mesmo.

Defesa do Flamengo anda junta — Foto: Leonardo Miranda

O nível de sincronia que o Flamengo apresenta, agora até com um a menos, é algo muito raro no futebol brasileiro. Todos os times que fizeram o mesmo entraram num panteão de equipes memoráveis pelas coisas terem dado tão certo. Com cinco títulos em oito meses, o Flamengo de Jorge Jesus certamente está nesse...outro patamar.

Com cinco títulos em oito meses, o Flamengo de Jorge Jesus certamente está nesse...outro patamar.

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