Jorge Jesus nunca comandará a Seleção. Tem caráter

COSME RIMOLI: Jorge Jesus pode fazer o sucesso que for.

Vencer o Mundial de 2020.

Ganhar de novo a Libertadores, o Brasileiro.

O motivo é muito simples.

E vai além da xenofobia.

O fato de ter nascido em Portugal.

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, segue a cartilha de Marco Polo del Nero, que seguia a cartilha de José Maria Marin, que aprendeu com Ricardo Teixeira, que fez 'curso intensivo' com João Havelange.

Foto: Alexandre Vidal
Técnico não desafia, não questiona, não 'abre os olhos da imprensa e dos torcedores' para a estúpida ganância da CBF.

Isso é básico e imperdoável.

As cruas declarações do treinador do Flamengo, na apresentação da Supercopa do Brasil, feriram a alma de Caboclo.

O presidente da CBF não esperava os ataques irônicos aos compromissos financeiros que substituíram a lógica.

Por exemplo, no esdrúxulo horário do importante jogo entre o campeão brasileiro, o Flamengo, contra o vencedor da Copa do Brasil, Athletico Paranaense.

Será 11 horas. Em pleno verão seco de Brasília. O segundo tempo começará meio-dia.

O português não segurou a ironia ao citar o horário.

"Será a primeira vez dessa Supercopa. Na Europa valorizamos muito essa competição, esse é também lá o primeiro troféu que as equipes disputam.

"Quero dar os parabéns à CBF pela realização."

"Só não sei porque é às 11 horas..."

Ele sabia muito bem.

É por conta da venda da transmissão dos jogos para o Exterior.

E para que aconteça a rodada dos Estaduais.

Por isso, pouco importa a qualidade da decisão e até a saúde dos jogadores para a CBF.

Aliás, Jorge deu outra estocada que repercutiu na sede da entidade.

Ridicularizou os Estaduais.

"Se o Flamengo ganhar o Carioca, no Brasil isso aumenta o meu currículo. Fora do Brasil, zero."

Por ter opiniões tão veementes, claras, fortes, Jorge Jesus fechou de vez as portas para a seleção.

Caboclo precisa ter um técnico que aceite todas as atitudes incoerentes, gananciosas, incompetentes da CBF.

Como seguir se dobrando aos amistosos sem sentido organizados pela Pitch.

Ricardo Teixeira, no último ato estranho como presidente da CBF, vendeu os amistosos da seleção até 2022 para a empresa árabe International Sports Events, ISE, que os repassou para a inglesa Pitch.

Por isso, o Brasil enfrenta equipes como El Salvador, Senegal, Qatar, Arábia Saudita. Partidas insignificantes. Mas que rendem, livres, um milhão de dólares, cerca de R$ 4 milhões, à CBF.

Tite deveria reclamar publicamente do baixo nível dos jogos, das viagens absurdas. Talvez despertasse coragem em Rogério Caboclo de comprar uma briga jurídica para se livrar da ISE e da Pitch.

A desculpa da cúpula da CBF é que o contrato que Ricardo Teixeira assinou foi em Londres. A briga jurídica seria na Inglaterra e poderia levar anos até o rompimento.

Por isso nem tenta.

Tite tem culpa.

Ele deveria falar o que todos sabem.

A inutilidade, a perda de tempo desses amistoso.

Um treinador como Jorge Jesus seria impossível contar com essa colaboração total.

Fora todos os privilégios, abusos de Neymar.

É impossível imaginar o técnico do Flamengo aceitar o tratamento diferenciado ao atleta mimado do PSG.

Tite perdeu grande parte do prestígio ao assumir a seleção e se submeter aos abusos da CBF.

Não só aceitar calado.

Mas criar justificativas insustentáveis.

Como a do diretor de competições da CBF, Manoel Flores, ao falar sobre o horário ridículo das 11 horas para a decisão da Supercopa.

"Ele nos agrada do ponto de vista de público. Envolve aspectos técnicos, comerciais e televisivos."

"Em relação à temperatura, será feito o mesmo procedimento padrão de todo Brasileirão, com medição e parada médica, se for necessário."

Tenso, desconfortável, Flores sentiu na prática.

É impossível colocar um treinador que preze sua independência, como Jorge Jesus, à frente da seleção.

Estrangeiros não estão acostumados à excessiva fidelidade exigida pela CBF para comandar o Brasil.

Por isso o veto.

A porta fechada para o treinador do Flamengo.

Por mais que conquiste, empolgue o futebol deste país, o cargo na seleção não será dele.

Jesus é muito independente.

A 'lealdade' que a CBF exige é absoluta.

Despreza o bom senso, a transparência.

Por isso os fracassos nas últimas quatro Copas...

As cruas declarações do treinador do Flamengo, na apresentação da Supercopa do Brasil, feriram a alma de Caboclo.

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