Brasil será representado por Tannure em debate na Fifa

O GLOBO: Por Diogo Dantas

A necessidade de viabilizar condições para a retomada do futebol em tempos de pandemia mobiliza há cerca de três meses médicos, entidades e empresas, em um debate a nível nacional e mundial sobre novas soluções tecnológicas para o esporte contra o coronavírus. Se até recentemente o tema se restringia a inovações para o jogo em si, como o VAR, ou na preparação física para as partidas, com GPS e outros equipamentos de prevenção de lesão, desta vez há um paradigma sanitário em discussão.

Mesmo tímido em sinalizar certezas, o mundo da bola submete atletas a testes e às novas condições de treinamentos e jogos, e vislumbra a possibilidade da volta do público aos estádios, premissa básica para a economia do futebol. No Brasil, CBF e federações seguem revisando seus protocolos em contato com autoridades de saúde, e clubes adaptam equipamentos dos CTs para a nova realidade.

Márcio Tannure, médico do Flamengo, com a taça de campeão brasileiro - Foto: Divulgação
Um debate virtual promovido pela Fifa na próxima semana vai tratar de soluções mundo afora, tendo como parâmetro as ligas que já retornaram sem público. O Brasil será representado pelo médico do Flamengo, Márcio Tannure. A intenção é fazer o intercâmbio de informações e adaptar ideias à realidade tropical, com situação financeira e calendário distintos, além da situação sanitária, que é pior aqui do que na Europa. Porém, até agora, a invenção que mais atraiu os olhares dos clubes foi desenvolvida em Israel.

Uma espécie de teste de bafômetro que serviria para o público que for aos estádios promete rapidez e eficiência maior do que as análises mais completas. Em pouco mais de um minuto e com 90% de precisão nos primeiros testes (o aparelho ainda será submetido, daqui a um mês, à Food and Drugs Administration (FDA), a agência americana de controle de alimentos e medicamentos, mas já tem o respaldo do Ministério da Defesa de Israel), a tecnologia teria baixo custo — cerca de R$ 60. O produto foi idealizado pelo professor Gabby Sarusi, da Universidade Ben-Gurion, que projetou a utilização para aeroportos, empresas e também para o esporte.

— Essa é a ideia principal — ponderou ao GLOBO Sarusi, que é vice-diretor de pesquisa da Escola de Engenharia Elétrica e Computação da Universidade.

— Só não sei se será econômico para o torcedor pagar esse valor pelo teste além do ingresso — questiona, concordando que clubes podem dividir a conta.

Cabine em estreia da seleção
Entre as demais ideias em debate estão as câmaras de desinfecção, já adquiridas por Flamengo e Internacional. A produção no Brasil ainda busca a chancela da Anvisa, que divulgou uma nota há duas semanas na qual afirma “faltar evidências científicas” de que o uso de estruturas como essas tenha eficácia enquanto medida preventiva contra o novo coronavírus. Mesmo assim, a ideia da CBF é que haja um modelo nos CTs e estádios para as competições, ainda sem público.

Essa semana o Inter colocou em uso no Beira-Rio e no CT estações com o objetivo de fazer a sanitização de roupas, calçados e acessórios. A iniciativa é uma parceria entre o clube e a empresa Bioseta, do Rio Grande do Sul. Mas outros protótipos em desenvolvimento tem como objetivo trazer de volta os torcedores ao estádios. Para isso o rigor é ainda maior.

O grupo multinacional GH23 diz ter conversas adiantadas com a CBF para implantar cabines em toda infraestrutura do futebol nacional, a custo de R$ 10 mil a R$ 15 mil cada. Elas são baseadas em um processo fotoquímico que higieniza as pessoas e verifica a temperatura para triagem. A tecnologia só não impede a entrada de indivíduos assintomáticos no estádios e CTs.

Mesmo com os alertas da Anvisa, o diretor executivo para a América Latina, Sérgio de Pinho, afirma que já há projeto com a Federação de Pernambuco para instalação do modelo no estádio dos Aflitos, Arruda, Ilha do Retiro e Arena Pernambuco, com intenção de neste último já viabilizar a presença de público para o primeiro jogo do Brasil nas Eliminatórias da Copa, contra a Bolívia.

— Já estamos preparando documentação para acreditar cientificamente. Tudo isso tem uma regulamentação muito forte. Laudos laboratoriais para darem chancela à produção. Feito isso, daremos entrada na Anvisa. Com isso, estamos pronto para aplicar em larga escala. Mas precisa de segurança jurídica de que não há nenhum dano às pessoas que passam pela câmara — explicou o executivo.

Presidente da Federação de Pernambuco, Evandro Carvalho confirmou que existe a busca por um protótipo para utilização nos estádios, mas que a CBF ainda não decidiu sobre o tema. Procurada, a CBF não se manifestou.

Flamengo inova
O Flamengo vai utilizar a câmara de desinfecção comprada em Portugal, que chega semana que vem, exclusivamente para controlar a entrada de pessoas no Centro de Treinamento, com higienização e medição de temperatura, já que aguarda o aval da Anvisa para o procedimento de desinfecção por processo fotoquímico. O clube estuda também promover mudança nas avaliações médicas e tornar os testes diários, além de adotar em seu protocolo medidas de higiene constantes.

O clube, que lidera o processo de retorno aos treinamentos no Brasil, usa aparelho destinado ao controle de carga, a câmara termográfica, para aferir temperatura através de infravermelho. Também há equipamentos de análises bioquímicas normalmente usados em hospitais que o Flamengo destinou para análises da presença do coronavírus. Calibrada com reagente, a máquina mede a qualidade e a quantidade do vírus, e consegue avaliar a curva do mesmo, para controle da população de atletas e funcionários imunes.

A intenção é fazer o intercâmbio de informações e adaptar ideias à realidade tropical, com situação financeira e calendário distintos.

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