Candidato à presidência do Cruzeiro revela inspiração no Flamengo

UOL: O advogado Sérgio Santos Rodrigues é um dos candidatos à presidência do Cruzeiro na eleição que ocorre amanhã (21). Pela segunda vez seguida no pleito, ele concedeu entrevista ao UOL Esporte. Na conversa, aponta Flamengo e Bahia como modelos de gestões a serem seguidas na Toca da Raposa, faz críticas à administração anterior, liderada por Wagner Pires de Sá, e explica como reduzir a milionária dívida do clube.

"A dívida, na verdade, se fala em R$ 750 milhões, que não é diferente da dívida que o Atlético Mineiro tem, que o Vasco tem, que o Flamengo tinha quando o Bandeira de Mello assumiu. Não é o que nós gostaríamos, mas, com um trabalho sério igual ao do Flamengo, você consegue equalizar isso. É algo feito a médio prazo, porque a capacidade de receita do Cruzeiro é menor que a do Flamengo. É possível fazer isso com contenção de gastos. Tem um estudo da própria Falconi [empresa de consultoria de gestão] que mostra que é possível reduzir muito os custos. Tem que ser inteligente e buscar coisas que não foram feitas. Pela grandeza do Cruzeiro, dá para buscar ações que solucionam isso", disse Sérgio Rodrigues, citando ainda quais são os seus exemplos de gestão.

Foto: Divulgação
"O modelo que eu pretendo é o modelo profissional. Eu fiz um MBA no Real Madrid e cito Flamengo e Bahia como exemplos de organização, porque são entidades, associações sem fins lucrativos que fazem o certo. Não precisa ser clube-empresa para ser profissional. Eles fazem o certo. O que é o certo? Implementar um planejamento estratégico, que o Cruzeiro não tem. Determinar missão, visão, valores, fraquezas, oportunidades, metas de curto, médio e longo prazo. É trazer pessoas boas competentes e técnicas para trabalhar na área. Como você sabe que o cara é bom? São aqueles caras que estão bem posicionados no mercado. Pretendemos implementar algo muito bom".

Confira, abaixo, a entrevista com o candidato na íntegra:

UOL Esporte: O Cruzeiro vive uma de suas piores crises de sua história, financeiramente e do ponto de vista desportivo. Por que você gostaria de ser presidente do clube neste momento?

Sérgio Rodrigues: Independentemente de crise ou não, eu gostaria de ser [presidente do Cruzeiro], porque a pessoa que quiser ser somente no momento bom, é porque não está disposta a ajudar. É como aquele amigo que só é amigo nas horas boas. A crise, diante de tudo o que a gente se preparou, dá até ânimo de ser presidente. Vamos tocar os projetos que são necessários para a reconstrução do clube.

UOL Esporte: O que fazer para viabilizar um clube que tem uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão depois da administração anterior?

Sérgio Rodrigues: A dívida, na verdade, se fala em R$ 750 milhões, que não é diferente da dívida que o Atlético Mineiro tem, que o Vasco tem, que o Flamengo tinha quando o Bandeira de Mello assumiu. Não é o que nós gostaríamos, mas com um trabalho sério igual ao do Flamengo, você consegue equalizar isso. É algo feito a médio prazo, porque a capacidade de receita do Cruzeiro é menor que a do Flamengo. É possível fazer isso com contenção de gastos. Tem um estudo da própria Falconi [empresa de consultoria de gestão] que mostra que é possível reduzir muito os custos. Tem que ser inteligente e buscar coisas que não foram feitas. Pela grandeza do Cruzeiro, dá para buscar ações que solucionam isso.

UOL Esporte: Quais são as suas propostas para a área financeira e para o âmbito desportivo do clube?

Sérgio Rodrigues: O âmbito desportivo é muito amplo. Claro que o nosso primeiro projeto é subir para a Série A [do Brasileirão]. Mas existe certamente a melhora nas condições de treinos, departamento médico, hotelaria, na base... É preciso um projeto de base mais sólido. Nos dois últimos anos, a base ficou perdida. Precisamos de investimento para não ficar envolvido apenas nas quatro linhas. A financeira é tentar reduzir a dívida, que foi contraída em um cenário diferente do que estamos hoje. A taxa Selic muito menor. Hoje, o Cruzeiro tem credibilidade, capacidade de cortar custos e buscar captação de receita.

UOL Esporte: Como avalia a gestão de Itair Machado e Wagner Pires de Sá?

Sérgio Rodrigues: Eu avalio a gestão, obviamente, como desastrosa. Fez o que fez com o Cruzeiro, aliado ao que está para se comprovar aí, inclusive, com desonestidade. Um título nacional com o time feito na gestão anterior. Então, não vejo como extrair algo positivo disso, fora a herança de salários altíssimos que o Cruzeiro tem que pagar.

UOL Esporte: Como contribuir com as investigações da polícia e do Ministério Público sobre os antigos dirigentes do Cruzeiro?

Sérgio Rodrigues: Eu acho que tem que chamar a Polícia Civil e o Ministério Público para entender o que falta para acabar. Tem que abrir as portas para tudo o que for necessário. Tem que procurar alguém que possa falar mais alguma coisa. É ter as portas abertas para que as pessoas possam agir.

UOL Esporte: Qual a sua avaliação do trabalho feito pelo conselho gestor?

Sérgio Rodrigues: O trabalho do Conselho Gestor, como de todos os ex-presidentes, tem coisas boas e ruins. Eles chegaram no momento mais difícil da história recente do clube. Eles tiveram que tapar buracos. A redução salarial foi para esse ano, mas fica para o ano que vem. Houve demissão. Você reduz a folha, mas cria um passivo trabalhista, que até onde sei não está sendo pago. Eu acho que o Conselho Gestor é um Núcleo Dirigente Transitório. Eles tinham que preparar para a transição, não que ocupem um terço do mandato. A saída do Adílson [Batista, treinador] mostrou isso. É difícil ter sete pessoas dando palpite. Se você tiver sete pessoas para definir, é complicado. Se fosse bom, estaria nos grandes clubes de futebol ou nas próprias empresas. O que vejo é isso. É um trabalho que tem que ser transitório e deixar o presidente eleito implementar o projeto de longo prazo.

UOL Esporte: Estaria disposto a presidir o clube somente por alguns meses, no mandato tampão sugerido pelo conselho gestor? Por quê?

Sérgio Rodrigues: Não estaria disposto a presidir o clube só por alguns meses, na verdade. Eu presidiria o clube a partir de junho, mas depois tem outra eleição. Só acho fundamental estar lá o quanto antes, porque o Cruzeiro precisa ter uma pessoa para implementar o seu projeto. O caminho natural é a reeleição em outubro.

UOL Esporte: Você tem bagagem acadêmica e empírica no futebol. Qual o modelo de gestão pretende adotar no Cruzeiro?

Sérgio Rodrigues: O modelo que eu pretendo é o modelo profissional. Eu fiz um MBA no Real Madrid e cito Flamengo e Bahia como exemplos de organização, porque são entidades, associações sem fins lucrativos que fazem o certo. Não precisa ser clube-empresa para ser profissional. Eles fazem o certo. O que é o certo? Implementar um planejamento estratégico, que o Cruzeiro não tem. Determinar missão, visão, valores, fraquezas, oportunidades, metas de curto, médio e longo prazo. É trazer pessoas boas competentes e técnicas para trabalhar na área. Como você sabe que o cara é bom? São aqueles caras que estão bem posicionados no mercado. Pretendemos implementar algo muito bom.

UOL Esporte: Você conta com o apoio de Gilvan de Pinho Tavares, Zezé Perrella e Pedro Lourenço no Conselho Deliberativo. Crê que isso influenciará na eleição?

Sérgio Rodrigues: Eleição é, obviamente, política. Isso conta com certeza. Se você pegar os ex-presidentes, faltou falar Alvimar Perrella, César Masci. Você tem grandes atores do clube que estão aí avalizando o projeto. Nenhum deles nunca me pediu nada, não tenho compromisso. São pessoas que confiam na nossa experiência empírica e acadêmica.

Ele faz críticas à administração anterior, liderada por Wagner Pires de Sá, e explica como reduzir a milionária dívida do clube.

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