"Eu vejo o Flamengo muito a frente do Palmeiras, diz Ewerthon

FOX SPORTS: O Palmeiras não contratou muitos novos nomes para a temporada 2020, diferentemente de anos anteriores, quando reforçou seu elenco com muitos nomes. Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, o ex-jogador do clube Ewerthon disse que essa política era falha e ainda afirmou que o Alviverde ainda não conseguirá competir com o Flamengo.

“O time atual do Palmeiras é o mesmo elenco que vem há dois, três anos, um clube que contratou muitos nomes, mas não contratou qualidade. Eu não equiparo o Palmeiras ao Flamengo. O Flamengo só vai perder para ele mesmo. O Flamengo tem jogadores que fazem a diferença no futebol brasileiro. Eu vejo o Flamengo muito na frente. O Palmeiras contratou muitos nomes da mesma posição, mas que não fazem a diferença. Acho que o Vanderlei vai fazer um bom trabalho, porque é um grande treinador, mas não vejo que vá atrapalhar o Flamengo a ganhar o Brasileiro. Não sei se vai ser campeão da Libertadores, mas, no Brasileiro, eu não vejo rival para o Flamengo”, disse o ex-atacante.

Foto: Divulgação
Perguntado sobre a mudança do planejamento de contratações nesta temporada, Ewerthon ressaltou o papel de Vanderlei Luxemburgo neste novo cenário no mercado e ainda comentou sobre a saída de Alexandre Mattos no final do último ano.

“Primeiro, a saída do Alexandre foi demorada. A gente sabe o que envolve o futebol, e quando existe uma contratação, existem ganhos. Acho que o Vanderlei está sendo inteligente. Com o elenco que ele tem, para ele contratar, precisa ser melhor do que ele já tem e que vá fazer a diferença. Você olha para o futebol brasileiro, quem é melhor que o Dudu, o Felipe Melo, o Bruno Henrique? Você não encontra no mercado. Então, é melhor se trabalhar com o que se já tem, do que contratar por contratar, só para gastar dinheiro, dar uma satisfação para a imprensa, para a torcida. Então, ele está certo”, apontou o ex-jogador.

“Não acho que vá bater de frente com o Flamengo. Porque o Flamengo, além de bons jogadores, tem muito qualidade, e se reforçou bem. Eu acho que é isso que o Palmeiras precisa fazer. Olhar no mercado, quem está e contratar jogadores pontuais. O Flamengo já vem fazendo esse trabalho há anos. Então, quem chegar no Flamengo, vai jogar, porque já existe uma espinha dorsal para jogar. O Palmeiras tem uma espinha dorsal, mas é um time muito da força, da cara do Felipão. O Vanderlei vai para a mudança, vai contratar jogadores para o jogo dele, não contratar por contratar. Então, a visão do Mattos era uma visão de contratar, mas quem eles contrataram não joga no Palmeiras, isso é preocupante”, finalizou.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA ABAIXO:

- Você foi o autor do gol do título da Bundesliga há 18 anos, saindo do banco de reservas. Como foi para você marcar esse gol?

“A gente quando está jogando não tem dimensão das coisas que acontecem. Essa era minha primeira temporada, marcando 10 gols, vendo o Amoroso ser o artilheiro do campeonato, e a gente tinha que ganhar esse jogo. Na verdade, foi uma surpresa eu ficar fora. Eu fiquei fora porque a gente tinha a final da Copa da UEFA, na quarta-feira, e na Europa tem o rodízio. E, na surpresa, as coisas foram acontecendo dentro do jogo e eu tive a felicidade de, na segunda bola que eu peguei, marquei o gol. É um gol que está eternizado até hoje. São 18 anos dessa conquista, e eu volto na Alemanha, hoje, e sou muito lembrado por isso. Quando a gente está na carreira não tem dimensão dos feitos. E eu sou muito feliz com o que aconteceu. Fazia seis anos que o Borussia não ganhava o Alemão e eu fui um privilegiado de fazer o gol do título. Eu estou na história do clube para sempre, isso é um fato. Ninguém vai apagar a minha história e esse gol. Foi minha primeira temporada, um tempo de adaptação, mudança de país. Hoje, é mais fácil, porque a internet favorece muito. Nessa época, não tinha como a gente ter o que tem hoje. São feitos e ficam para o resto da vida. É bom para mim e para o meu filho, que não conseguiu me ver jogar, mas que sabe um pouco da história do pai dele”

- Como era a sua relação com o Amoroso e como era o vestiário estrelado do Borussia Dortmund naquela época?

“A gente tem bastante amizade. Eu, Amoroso, Dedê e Evanílson, a gente se juntava, o que é normal, os quatro brasileiros, jogando, em alto nível, fazendo uma grande temporada. E somos amigos até hoje, depois da carreira, a gente continua mantendo contato. E o Amoroso é um cara que tenho muito respeito, por ele, pela família dele. Nós nos tornamos irmãos, é um cara que eu só tenho coisas boas para falar. E, como jogador, ele foi o cara que, na minha carreira, foi o melhor que eu vi jogar. Todo mundo fala, eu tive a oportunidade de jogar com Romário, Ronaldo, mas, na nossa convivência, eu vi o Amoroso fazer coisas que eu não vi os outros fazerem. Então, eu sempre falo, o melhor atacante que eu joguei na minha vida é ele. A gente tinha uma questão muito particular, porque a gente era unido para fazer sempre o melhor. Se eu fizesse um gol, se ele fizesse o gol, a gente sempre jogava um para o outro. Não tinha rivalidade, e sim amizade. Agora que a gente está beirando os 40 (anos), a gente continua com a mesma mentalidade, somos muito amigos fora de campo”

- Vocês jogam juntos, hoje, no BVB Legends. Como você vê esse projeto do clube alemão? Acha que coisas assim podem dar certo em clubes brasileiros?

“Esse é um projeto que a gente vem há dois anos trabalhando. E é muito gratificante, porque a gente acaba perdendo contato. Um mora no Brasil, outro na França, outro na Alemanha. Então, a gente se junta, principalmente, para rever as nossas histórias. O europeu é diferente do brasileiro, ele reconhece os seus ídolos do passado. Infelizmente, no Brasil, a gente não tem isso, somos muito imediatistas, muito momento. Eu acho que, para os clubes, é uma coisa bacana. Todos os clubes deveriam ter um time de lendas aqui dentro do Brasil, porque são pessoas que fizeram parte da história do clube. Nesse projeto, nós temos três ou quatro viagens pelo mundo. A gente se junta, mas não se junta para jogar, o jogo é o menos importante. A gente se junta para reviver aquilo que viveu no clube. E o carinho que a gente recebe do clube é muito bacana. Porque, depois que a gente para de jogar, a gente cai no anonimato e muitos precisam. Primeiro, a gente criou esse projeto para ajudar, primeiramente, as pessoas que precisam, e segundo ajudar os jogadores que, financeiramente, não estão bem, pessoas do passado que não estão bem. É uma coisa gostosa, prazerosa. Fizemos no Brasil, na Tailândia, na Alemanha e em outros lugares. E vamos continuar com esse projeto, onde depois de muito tempo a gente pode se encontrar e ajudar pessoas que a gente nem imagina que precisa”

- Como foi para você jogar em frente à Muralha Amarela? Quais as diferenças entre a torcida alemã ou do Brasil? Uma é mais apaixonada que a outra?

“Temos que entender. A torcida do Borussia é apaixonada. Todo jogo, a gente jogava para 85 mil pessoas, todo jogo dentro de casa. Mas o torcedor alemão faz uma festa bacana, é bonito, só que é diferente. O torcedor brasileiro é apaixonado, é vidrado, ama o futebol e seu clube. O que me ajudou muito foi ter sido revelado pelo Corinthians. Jogar no Corinthians é muito difícil, a torcida é apaixonada, mas cobra muito. Dentro disso, quando eu fui para a Alemanha, eu não sabia da torcida, mas sabia da grandeza do clube. E é uma torcida maravilhosa, mas o que me ajudou muito foi a torcida Do Corinthians. É o que eu digo, é uma torcida que vai te levar para cima, mas também te leva para baixo. Em São Paulo, eu digo que tem dois times: O Corinthians e quem não torce para o Corinthians, que a rivalidade é muito grande. Eu cresci em uma raiz muito grande que é o Corinthians. A cobrança sempre foi um peso, muito grande. E, chegar na Alemanha, é diferente, porque, por mais que a Muralha Amarela faça a festa, a cobrança do europeu é diferente. Eles são educados, se você ganha, se perde, eles te respeitam. Aqui não, mas lá sempre me respeitou. Sempre tive uma relação sabia e bacana com os torcedores dos clubes que passei na Europa. A diferença é a educação”

- Na temporada atual, a diferença para o Bayern é de quatro pontos. Você acha que dá para brigar pelo título?

“Vou ser bem sincero. O Bayern investe para ganhar campeonatos. O Borussia investe em jovens para depois, como fosse uma vitrine, ser vendido. Eu acho que o Borussia tem bons jogadores jovens, mas precisa de quatro ou cinco nomes mais experientes. Gostaria que o Borussia fosse campeão, mas eu vejo que o Bayern sempre vai ser o favorito. A gente espera que consiga, por serem quatro pontos, não são muitos. Mas eu vejo que eles levam uma vantagem pela experiência do elenco”

- Do elenco atual, qual jogador você avalia como sendo mais parecido com você dentro de campo?

“Pelo jeito de jogar, pela inteligência, pela velocidade e a rapidez que ele tem, o Sancho. Quando eu jogava, mais ou menos, é mais semelhante. É um jogador de beirada, podendo jogar tanto do lado esquerdo quanto do lado direito. Ele é um jogador com muitos recursos, rápido, inteligente e que faz muitos gols. Acho que ele é um jogador promissor e vai ter uma carreira brilhante no futebol”

- Ele tem sido muito vinculado com outros clubes na próxima janela de transferência. Você o venderia ou tentaria segurá-lo por mais tempo na equipe?

“Queira ou não, o mundo mudou. A gente não sabe o que vai acontecer. Mas ele é um jogador que merece mais, que tem que dar um pulo a grandes clubes. Um Real Madrid, um Barcelona, um Manchester United, um Liverpool. O jogador sempre tem que querer mais. A carreira é curta e o Borussia não vai trazer a sustentação que ele precisa, hoje. É um jogador que tem muita qualidade e futebol para jogar em uma das principais equipes da Europa”

- Assim como você fez, Pedrinho foi revelado pelo Corinthians e está se mudando para a Europa. Que conselho você daria para ele nesse momento?

“Conselho, eu não daria. Única coisa que eu falo é o que falo para todo mundo. Dificuldades existem, problemas todos têm. Mas seja profissional. O que é ser profissional? Respeitar o seu contrato. Pode ser que a primeira temporada não aconteça da forma que ele quer, mas tem outros anos para seguir. Então, é se manter, respeitar o contrato, respeitar o treinador, que as coisas saem. É difícil dar conselho, porque hoje a informação chega muito rápida. Ele vai para um cenário do futebol que é Portugal, para um grande clube, como o Benfica, mas ele vai ter companheiros que vão ter muita qualidade para jogar. O jogador brasileiro é diferente do europeu por isso. O brasileiro não consegue respeitar, porque tem que chegar, jogar e ser titular. E, na Europa, não é assim, tem que saber o momento que a opção do treinador é melhor para o time. Ele precisa ter maturidade. Futebol ele tem, é um grande jogador. É ter maturidade e respeitar os profissionais que lá vão estar”

- Nesse momento, Tiago Nunes vem sendo muito criticado pelo início de trabalho no Corinthians. Como você tem visto essas críticas e a sua manutenção no cargo, apesar dessas?

“Há duas vertentes. A forma dele trabalhar é muito boa. Infelizmente, no Brasil, muitas pessoas pensam pelo resultado, o que não vem acontecendo no Corinthians há um bom tempo. Eu sou um dos poucos que defendem ele há um bom tempo. Porque a coisa não está boa para o Corinthians, nem para ele, mas, com a crise, o Andrés está certo, tem que manter o treinador. O problema não é treinador, é qualidade técnica, é um time que não tem muita qualidade técnica. Pela grandeza do Corinthians, não pode culpar o treinador. Um treinador da forma do Tiago, com a mentalidade dele, mas o Corinthians não tem jogador que vá emplacar da forma que ele quer trabalhar. Ano passado não foi bom para o Corinthians, esse ano, consequentemente, também não vai ser. Ele não tem qualidade humana para trabalhar como quer, mas vai sobrar para ele, que tem que trazer resultado. Mas o problema não é o treinador, é qualidade técnica, que não tem”

O ex-jogador do clube disse que essa política era falha e ainda afirmou que o Alviverde ainda não conseguirá competir com o Flamengo.

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