Bap justifica o Flamengo contra Globo e conversas com Bolsonaro

ESPN: Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ)

A chamada em vídeo se inicia e do outro lado Luiz Eduardo Baptista está sorridente. Ainda que menos de uma hora antes a informação o Flamengo tenha sido acionado judicialmente pela Rede Globo devido à briga pela transmissão dos direitos do Campeonato Carioca a confiança exala na diretoria rubro-negra.

- Não é que isso pegou de surpresa o Flamengo hoje. O Flamengo tinha certeza absoluta que esse movimento iria acontecer, diz sobre a guerra judicial que se inicia com a emissora.

Foto: Alexandre Vidal
Bap já é conhecido de longa data da torcida rubro-negra, entre períodos de despertar amor e ódio. Participou do início da reestruturação do clube em 2013 como vice-presidente de marketing até romper com Eduardo Bandeira de Mello. De volta na administração Rodolfo Landim é hoje um dos homens fortes da cúpula da diretoria. Desta vez o cargo é de vice de relações externas. Mas a atuação tem sido maior nos bastidores.

Entre os corredores de Gávea e Ninho do Urubu não é difícil ouvir a quem se refira ao dirigente como o "Todo Poderoso". Por 25 anos Bap foi um dos nomes fortes do mercado de operadoras de televisão do Brasil. Dirigiu a Sky por 15 anos, de onde saiu no início de 2019. O motivo da discórdia com a Globo, a Medida Provisória 984 assinada por Jair Bolsonaro, é defendida pelo vice de relações externas com furor. Assim como as acusações do Flamengo de se aproximar demais do presidente Jair Bolsonaro e servir de garoto-propaganda em um momento de pandemia.

- No Flamengo a gente trabalha, a gente tenta construir o futuro. E isso muitas vezes incomoda, diz, feroz, Bap.

Nesta entrevista de quase uma hora à ESPN, o dirigente abordou inúmeros temas como o futuro do mercado de direitos de transmissões com a nova MP, a postura de protagonista do Flamengo no episódio, os rumos da FlaTV, a negociação sem sucesso com a Amazon e a parceria de quase dez anos com a Adidas. E criticou de maneira forte a possibilidade de uma suposta obrigatoriedade de formação de liga entre os clubes para negociar os direitos. Confira a íntegra.

Gostaria que você falasse sobre a posição do Flamengo em relação à Medida Provisória 984. Tem despertado polêmica, principalmente com a Rede Globo. Por que o Flamengo dá suporte a essa MP?

O Flamengo entende que os direitos de transmissão do Flamengo que não tem contrato com a Rede Globo são absolutamente certos e líquidos por conta da definição e da decisão da Medida Provisória que o presidente Jair Bolsonaro assinou semana passada. Esse é o nosso entendimento. A Globo tem um entendimento diverso e nós vamos de alguma maneira buscar a interpretação devida a quem cabe, que no caso deve ser o Supremo Tribunal de Justiça. Porque como é um ato do Presidente da República só quem poderia avaliar é o STJ. Então nós estamos tranquilos. Nós entendemos que nosso direito é líquido e certo e democraticamente nós vamos utilizar as fórmulas que ambas as partes entendem adequados para dirimir essa dúvida.

O Flamengo está seguro que pode transmitir seus jogos no Carioca? A Globo argumenta que os contratos assinados antes da MP não se aplicariam agora. Ela tem contrato com os adversários do Flamengo.

É verdade. Como também é verdade que a Globo aplicou um desconto no que ela pagava aos clubes na medida em que o Flamengo não jogava contra eles. Porque na verdade você joga sempre com um adversário. Então se ela aplicou esse desconto é porque de alguma maneira ela entendia que o Flamengo não estava jogando só contra ele, estava jogando contra todos os outros clubes. Sendo o Flamengo mandante ou não. A gente entende que a Medida Provisória claro que ela se sobrepõe ao que havia anteriormente. Ainda mais se o Flamengo for de fato mandante e não tiver contrato com a Globo. Então eles têm um entendimento diverso e nós vamos de alguma maneira para a Justiça para decidir isso. A gente não tinha dúvida de que isso acontecer e nós estamos preparados para isso, viu, Pedro? Não é que isso pegou de surpresa o Flamengo hoje. O Flamengo tinha certeza absoluta que esse movimento iria acontecer. E nós estamos nos preparando adequadamente para isso desde o minuto seguinte à assinatura dessa Medida Provisória pelo Presidente Jair Bolsonaro.

Você tem experiência vasta de carreira na área de televisão. Acredita que isso prejudica a relação entre Flamengo e Globo para o futuro? Afinal existe um contrato dos direitos do Campeonato Brasileiro assinado até 2024.

Olha, Pedro, isso é uma ótima pergunta. A Rede Globo tem sido um excepcional parceiro comercial do Flamengo ao longo de todos esses anos. Nós prezamos a relação com a Globo, nós temos amigos na casa, eu pessoalmente tenho amigos na casa. Outros membros da diretoria também têm relações pessoais e profissionais pregressas. Então nós entendemos que nós temos um ponto de vista divergente agora. Eu amo meus filhos de paixão e não necessariamente eles concordam comigo e de vez em quando você tem umas rusgas aqui e acolá que tem eventualmente uma instância superior, uma mãe, dar uma aliviada, dar uma segurada. Decidir se é um pouco para cá ou para lá.

A gente encara isso com muita naturalidade. O que está acontecendo é que o mundo está mudando muito nos últimos dez anos e muito rapidamente. E na hora que essas mudanças acontecem você gera entendimentos diferentes. Porque o mundo muda muito rapidamente, nós todos mudamos como pessoas físicas e como pessoas jurídicas também. Então é absolutamente natural que nesse processo você tenha alguns desencontros, entendeu? Olha, a gente concorda em discordar. É do jogo. A gente apenas e tão somente tem uma visão diferente sobre esse ponto. Para a gente é ponto pacífico que os demais contratos que nós temos com a Globo nós temos obrigações e vamos cumprir nossas obrigações. Mas nesse caso, especificamente, nós entendemos que o nosso direito é diverso do que a Globo entende ser o direito do Flamengo.

Em relação à MP, alguns clubes criticaram a atuação do Flamengo, acusando que o clube tentou capitanear um protagonismo para se beneficiar. Até na ação da Globo há uma acusação de "intolerável arrogância" do clube. Qual foi a postura do Flamengo nesse caso?

Olha, o Flamengo tem uma posição muito clara a respeito desse assunto e com quem gente podia discutir. Não é de hoje. Não foi de semana passada, dessa MP, que o Flamengo tem essa visão. A gente não acredita que em pleno século 21 quando desintermediação virou uma coisa comum, né? O cara que é artista, que é músico, não precisa mais bater na porta da gravadora para ter a sua fita demo aprovada. O cara que é jornalista não precisa mais ter uma chancela da ESPN ou da Globo ou do SporTV. Ele pode abrir um blog dele direto. Se eu quiser pedir um táxi, um carro para me levar do ponto A ao ponto B, eu posso pedir um Uber. Não preciso ligar para uma central de táxi que vai me dizer: 'vou ver se arranjo um carro para o senhor e depois a gente combina qual é o preço'. Se eu quiser viajar para fora eu entro no Boooking.com , se eu quiser assistir a um filme eu posso entrar na Netflix. Então nós estamos vivemos um mundo das opções. Onde o consumidor final finalmente tem voz. Então de quem é a boate, quem vai ser o porteiro da boate, desculpa, nós entendemos que isso é um discurso antigo. Hoje em dia o consumidor está empoderado. Então o consumidor se estiver na Austrália pode ver um jogo do Flamengo pelo YouTube no celular dele. Por que não poderia? Nós entendemos que isso é um direito inequívoco. A tecnologia trouxe esse benefício não foi para o futebol, foi para a sociedade como um todo. E todos nós vamos ter de nos adequar a essa realidade. Não é o Bap que está dizendo isso. Eu vou ter, você vai ter, meus filhos, minha mãe que já está com 86 anos, enfim. E isso vai gerar desconforto, isso gera desconforto.

A mudança gera desconforto. É absolutamente natural. E gera estresse onde essa relações foram pautadas por contratos. É absolutamente legítimo. Então a posição do Flamengo é absolutamente clara e cristalina. Nós entendemos que os direitos que nós temos como mandantes são nossos. Todas as obrigações no futebol são nossas. Um dia de jogo do Flamengo, se você for olhar no Estatuto do Torcedor, olhar lá na Lei Pelé... Você está passeando perto do Maracanã, jogam uma pilha na sua cabeça num raio de um quilômetro do Maracanã. Sabe quem é o responsável? Flamengo. Deu confusão na porta do estádio, teve problema, a gente não sabe o que está acontecendo lá fora, a polícia pode ou não ter cumprido seu trabalho adequadamente, uma pessoa porque bebeu ou está drogada, enfim, por quaisquer razões acontece algum entrevero fora do jogo, de quem é a responsabilidade? Do Flamengo. O jogador tem um piripaque dentro do campo, nós não temos uma ambulância para atendê-lo adequadamente. De quem é a responsabilidade? Do Flamengo. Todas as obrigações são do Clube de Regatas do Flamengo. Agora quando chega o direito de transmissão, o direito não é do Flamengo? Quer dizer, nós só temos obrigações? Quem ganha com isso? Ganha, eventualmente, o modelo de monopólio, que nós estamos combatendo. Nós estamos do lado da democratização do acesso da informação. E olha 'Ah, o Flamengo é maior, Flamengo vai tirar vantagem disso'. Tem muitos clubes no Brasil fazendo um trabalho digno de louvor e que talvez as pessoas não percebam porque estão fora do futebol ou porque só estão acompanhando as partidas. Olha, Ceará, Fortaleza, Bahia, Goiás, Athletico-PR, Grêmio, Internacional, Palmeiras. Para dizer alguns. Estão fazendo um trabalho absolutamente sensacional e ajudando o futebol brasileiro a melhorar. Tá certo? O Bahia, por exemplo, faz produtos dele com marca própria. O Fortaleza também faz. O Flamengo ainda não se preparou para isso. Então Bahia e Fortaleza estão na frente do Flamengo.

Em alguns aspectos de plataformas digitais eu vejo clubes como o Bahia na frente do Flamengo. Isso não tem nada que ver com tamanho. O que acontece é que hoje a tecnologia, do jeito que o mundo está, ela permite que um cara que não é nada compita com um gigante. Essa é a beleza do novo mundo em que a gente vive. Então o Flamengo está se adaptando e está se ajustando para estar inserido nesse contexto de atualidade. É claro que quem de alguma maneira se acostumou a ter o controle total e absoluto de tudo, impor o preço que vai vender e definir quanto que o consumidor vai pagar e ganhar uma fortuna com isso, claro que quem está se sentindo ameaçado queira reagir. É legítimo. Eu entendo perfeitamente isso. Sempre tem alguém perdendo ou alguém ganhando no mundo. Meu ponto é o seguinte: todos nós devíamos pensar e botar a mão nas nossas consciência de quem é quem está pensando no seu consumidor final?

O Flamengo está pensando no seu consumidor final. O Fortaleza está pensando no seu consumidor final. Eu não acho que seja correto no mundo em que a gente vive o torcedor do Bahia só ter a possibilidade de assistir a um jogo do Brasileirão se a Globo quiser passar o jogo dele. Mas é a minha opinião. Quando a gente olha lá na grade, ela escolhe alguns jogos e não escolhe outros. Por que ele não poderia assistir aos jogos na palma da mão dele? Hoje em dia você assiste shows, lives. Enfim, o mundo é diferente. Ele é melhor ou pior? Não sei, ele é diferente. Para mim particularmente ele é melhor. E se a gente tiver que tomar uma atitude de defender o consumidor final e por isso a gente ser chamado de arrogante é lamentável. A gente entende que a gente está simplesmente navegando de acordo com a inovação, com a tecnologia. Sobre esse assunto da decisão do presidente, as pessoas estão creditando ao Flamengo uma influência muito maior do que o Flamengo tem de fato. O presidente entendeu que isso era um assunto importante e que estava parado no Congresso Nacional há anos. Este assunto nos tentamos pautar no Congresso Nacional há anos.

Chega a ser comovente ver a pressa agora com que o Congresso está tentando se mover por algo que estava pautado lá dentro e eles deixaram engavetado, sabe-se lá aonde, por tanto tempo. Na pior das hipóteses a Medida provisória do presidente Jair Bolsonaro fez com que o mundo do futebol parasse para refletir a respeito dessa importância. E nós acreditamos que quem é bom, quem tiver conteúdo e quem trabalhar bem vai ganhar dinheiro. Sabe por quê? Porque a gente vive uma era em que as pessoas trocam até de sexo, mas elas não trocam de time de futebol. Então quem fizer um conteúdo adequado e tiver um produto bom vai vender para os seus seguidores, para os seus fãs, para os seus torcedores. E, por fim, você pega clubes como o Red Bull Bragantino que está chegando na Primeira Divisão, outro que está fazendo um trabalho sensacional, ele vai vender o jogo com o Flamengo quando o Flamengo for jogar com ele. Vai poder vender o jogo para a Europa, para o associado dele, outros lugares. Enfim, ele vai ter uma gama de outras possibilidades que hoje os clubes não têm.

O mundo vai ser diferente, o mundo vai ser melhor para aqueles que acordarem cedo e resolver ir trabalhar. Para aqueles que resolverem ficar se lamentando ou ficar travando o mundo, não vai dar certo. A gente está vivendo o século 21. Então que história é essa de alguém definir com quem eu vou casar, se eu vou casar ou com quem não vou casar? Isso é inconstitucional. Nosso negócio não é essencial. É um negócio privado. Mexe com muita emoção? Mexe com muita emoção. Mas ele é um negócio de natureza privada. Artigo quinto da Constituição, se não me engano. Está lá. Nós somos um negócio privado. A gente se associa com quem a gente quiser por afinidade. E acredito que isso vai acabar acontecendo no futebol brasileiro. Nós vamos nos juntar pontualmente para discutir assuntos que são dos nossos interesses, como em qualquer associação. Mas o princípio básico é que a gente vai concordar e discordar. A gente não tem que concordar com tudo, nem tem que criar uma Liga para a Liga decidir para a gente o que é bom e o que não é bom. Isso cheira a mofo, é atrasado. E no nosso ponto de vista não vai voar. Se isso é ser arrogante, se isso é de alguma maneira tentar liderar de uma maneira inadequada, a gente lamenta. Porque no Flamengo a gente não trabalha para liderar nada. A gente acha que liderança é uma coisa que você conquista pelas relações que você estabelece na sua vida. Você não chega e compra confiança, compra liderança. O Flamengo não está ousando liderar nada. E a gente acha que a gente nem tem que cumprir esse papel.

Esse é um assunto pontual que a Presidência da República resolveu que tinha de tomar uma decisão e que por acaso como o Flamengo é o único clube de relevância no Brasil hoje que não tem um contrato, os holofotes estão no Flamengo. Mas se fosse o Vasco, se fosse o São Paulo, se fosse o Corinthians, nós estaríamos batendo palmas de pé porque isso não é pró-Flamengo. Isso é pró-futebol. Isso é a redenção do futebol. A gente não pode deixar se enganar que a gente vai sair de 25 anos de prisão, para ser libertado da prisão para ir direto para o cativeiro, de uma nova liga. Nós não acreditamos nisso. É uma questão de ponto de vista. A História, o tempo vai mostrar se a gente está certo ou está errado. O nosso compromisso é com o que a gente acredita, com o propósito que a gente toca o Clube de Regatas do Flamengo.

Muitos especialistas afirmam que uma criação de uma liga dos clubes tornaria a negociação de direitos de transmissão mais lucrativa. E muito se faz conta de padaria de que o Flamengo tinha 38 jogos para vender, agora teria apenas 19. Como faturar mais? Além disso, vê o mercado tão efervescente para possibilitar maior luta pelos direitos de transmissão?

Essa pergunta é ótima. Vamos começar pelo óbvio, pelo básico. Você já imaginou se eu definisse com quem você casar e por que propósito? Não faz o menor sentido isso. Você achar que se eu escolher a pessoa certa para você, você vai ser feliz. Olha, isso soa calabouços do século 18. Obrigação de montar uma liga? Eu caso com quem eu quiser. Eu particularmente sou casado, muito feliz e acho que casamento é uma coisa muito importante. Mas ninguém vai escolher com quem eu vou casar, como vou casar e por quê vou casar com A ou com B. Tá certo? Então essa história de você achar que você vai casar com quem te mandam casar ou vai virar sócio, do ponto de vista comercial, com quem alguém manda você virar sócio, isso é garantia de sucesso? É claro que não. Você tem que ter afinidade, você tem que ter confiança. Ninguém se junta para casar com alguém ou pessoalmente, no caso de casamento, ou societariamente no caso de negócios, porque alguém diz que você deveria casar.

Então achar que uma liga vai resolver os problemas do Brasil? Não vai resolver os problemas do Brasil. Se os problemas importantes do Brasil pudessem ser resolvidos numa canetada eu tenho certeza de que a gente não viveria uma porção de problemas que vivemos aqui. Então acredito que o Congresso tem outras coisas mais importantes para cuidar, que são essenciais como saúde, educação, saneamento básico - que tem pouca gente falando disso - previdência. Futebol? Eu amo futebol, é uma coisa importante na minha vida. Mas vamos combinar: futebol não é uma atividade essencial no país para o Governo tentar legislar a respeito disso. A primeira coisa é um direito constitucional de a gente querer se juntar com quem a gente quer porque nós somos uma entidade privada. Então não faz sentido essa intervenção, ok?

O outro ponto é o seguinte: quando você falar comercialmente as pessoas sempre pensam no modelo atual, né? Nós temos contrato com a Globo até 2024 no Campeonato Brasileiro e nós vamos cumprir. Eu vou repetir aqui: a Globo é um excepcional parceiro comercial não só do Flamengo como de todos os outros clubes do futebol brasileiro. Mas nós discordamos pontualmente, que no Carioca nós não temos contrato e por isso essa discussão. Mas vamos supor que a gente não tivesse contrato para o Campeonato Brasileiro. Você sabe o que ia acontecer? A primeira coisa que você venderia alguns jogos do Flamengo para A, outros jogos para B e outros jogos para A, B e C. Outros clubes também fariam a mesma coisa. 'E os jogos que não passariam, Bap, que não haveria interesse?'. Esses você vai consorciar, você vai fazer um bem bolado e vai vender para um terceiro. É natural.

Então a resposta para isso está, por exemplo, no basquete americano. Quem é que transmite a NBA? Uma porção de gente transmite NBA. Por diferentes canais. 'Ah, mas tem times que disputam NBA e que não vão ganhar jamais o título'. Bom, eu que gosto de basquete não achava que o último campeão, que foi o Toronto por exemplo, pudesse ganhar. Não achava jamais que um time como esse pudesse ganhar. Como não achava que o Golden State Warriors podia ganhar alguns anos atrás. Como não achava que o Cleveland Cavaliers podia estar disputando um ano sim, o outro também, as finais. Então veja, por essa visão nenhum desses clubes poderia ter se reinventado. O que aconteceu com os Lakers, o que aconteceu com o Chicago Bulls, o que aconteceu com Detroit, com Boston que eram times super tradicionais? Sabe o que aconteceu? A tecnologia atropelou a todos eles e fez com que o nível de competitividade e de excelência fosse reconhecido. Vai acontecer a mesma coisa com os direitos de transmissão. As coisas não serão como eram. Vão haver mais players. Então acho que o mercado não vai ser só dos 38 jogos tradicionais, entendeu? Você vai ter uma série de outros produtos. O mercado que hoje tem um tamanho de dez, vai passar a ter um tamanho de 30 ou de 40. Então o buffet vai ficar muito maior e muito mais diversificado e vai todo mundo comer mais e com melhor qualidade ao longo do tempo. É essa que é a minha visão desse negócio.

Você tem falado bastante do mundo digital, de uma mudança constante. Em que ponto entra o apoio do Flamengo a essa MP também em relação à FlaTV? Qual a ideia do Flamengo? Redirecionar muita conteúdo para a FlaTV, até mesmo os jogos?
Nós somos dentro do clube muito autocríticos do que a gente faz. Basicamente, em que pese o sucesso esportivo que a gente tem tido, nós somos muito autocríticos e muito duros internamente com o que a gente faz. Então entendo que nós estamos vivendo uma fase onde a gente tem de fazer um produto melhor e digno de que ele possa ser cobrado de alguém. A minha visão técnica, de quem ficou 25 anos em televisão, é o seguinte: tem coisas que a gente faz super bem feitas. E tem coisas depois que dá vontade de chorar. Eu não vou exemplificar aqui o quê. Mas tem coisas que a gente manda muito bem e tem coisas que a gente manda muito mal. Essa oscilação é típica de quem não é profissional do que está sendo feito.

Então nós temos um olho muito crítico e clínico para dentro de casa porque a gente tem de fazer melhor antes de fazer mais quantidade. Todo dia a gente aprende um pouco, a gente tem essa humildade e tem esse espírito de melhorar. Segunda coisa que é o seguinte: as redes sociais trouxeram uma série de benefícios, ou seja, o acesso a produto de gente que tinha talento e que de alguma maneira conseguiu passar os processos convencionais e atingir diretamente o seu consumidor final e ter sucesso. Tem vários blogueiros tendo sucesso, os influencers de redes sociais, têm os jornalistas que conseguiram o seu espaço.

Enfim, uma porção de gente que soube se reinventar. Alguns conseguem cobrar por isso, ter patrocínios, e outros não. O que separa as crianças dos adultos nisso? Aqueles que fazem com qualidade e os anunciantes ou os clientes percebem valor e resolvem pagar alguma coisa. Eu espero sinceramente que a gente consiga fazer um trabalho de qualidade no Flamengo para que a gente possa fazer jus a cobrar das pessoas pelo aquilo que a gente merecer. Mas eu não vejo uma situação única onde vai ser preto ou branco. Onde você vai dar tudo de graça, onde você vai cobrar tudo. Acho que vai ter conteúdo que vai ser de graça para todo mundo, vão ter conteúdos exclusivos, vão ter formatos que vamos poder desenvolver. Vou te dar um exemplo. Por exemplo, a saga, a trajetória da gente na Libertadores. A gente podia ter filmado e gravado internamente aquilo tudo. Os sentimentos que nós tivemos ao longo da competição. A decepção que foi o jogo com o Emelec no Equador, o sentimento de receio que a gente tinha na volta de sermos eliminados. O sentimento de alívio em 15 minutos de jogo para fazer o 2 a 0 e praticamente classificado. Parecia que a gente ia ganhar de cinco dos caras e de repente o tempo vai passando e acaba como todo grande filme de Hollywood em pênaltis no Maracanã. E depois a saga de chegar na final, aos 43 do segundo tempo e virar o jogo.

A quantidade de conteúdo que a gente podia ter gerado extracampo e que daria uma série sensacional, ela estava lá. Não dependia do Congresso Nacional, não dependia da Medida Provisória do presidente Jair Bolsonaro, não dependia só do pessoal da FlaTV, não dependia dos clubes pequenos que a gente ia jogar. Só dependia da nossa capacidade, da nossa capacidade de tê-lo feito. Não tem direito porque é extracampo. E a gente fez? A gente não fez. Estou dando isso como exemplo de discussões que temos dentro de casa. Do que a gente pode construir para o consumidor que quer saber, para o torcedor que quer saber, quer entender um pouco o "behind the scenes", quem são as pessoas que estão tocando isso? Elas sentem, elas sofrem, elas não pensam como eu? Por que deixam o jogador A jogar e não deixam o B? Você que é jornalista você sabe que tem amigos que de alguma maneira têm opiniões profundas sem conviver no dia a dia. A gente tinha possibilidade de criar esse conteúdo. Nós não criamos. A quem a gente vai culpar, Pedro? A Rede Globo? Não podemos culpar a Globo.

O Congresso Nacional. Não podemos culpar o Congresso Nacional. Presidente Jair Bolsonaro? A responsabilidade é nossa. A gente recebe todo dia 24 horas por dia. O que a gente faz com esse tempo é o que muda a vida da gente. Então nós no Flamengo entendemos que tem muita coisa que a gente pode fazer, de conteúdo que agrade aos nossos consumidores, aos torcedores do Flamengo que não apenas a transmissão de um jogo. Agora, se nós não nos estruturarmos para isso, não começarmos a nos preparar isso vai sempre virar uma conversa de botequim. Daqui a dez anos você vai me entrevistar e eu vou te dizer 'então, nós temos esse sonho e tal'. Sonhar é super importante, mas acordar cedo e dar duro para fazer os sonhos acontecerem acaba que na vida é um pouco mais. A gente está nessa opção.

A aproximação do Flamengo com o presidente Jair Bolsonaro foi muito criticada. Muitos viram o clube servindo de garoto-propaganda no meio da pandemia para acelerar a volta do futebol. Depois teve a MP atendida e até acertou patrocínio com o Banco de Brasília. Queria abrir espaço para você, como vice de relações externas, para falar sobre muita gente dizer que o Flamengo é um garoto-propaganda do governo Jair Bolsonaro.

Acho isso assim... Raso e sem sentido. Vou te explicar por quê. O Flamengo se relaciona com todas as autoridades constituídas. O nosso grupo defende que não haja envolvimento político de quem trabalha no Flamengo. Nem antes, nem durante, nem depois. Nós temos no Flamengo comunistas de carteira até gente de ultradireita que acha que o Bolsonaro é light. Nós temos todos os matizes dentro do Flamengo. Sabe uma coisa que a gente não discute dentro do Clube de Regatas do Flamengo? Política. Tem pessoas que eu sei como votam, como pensam. E tem colegas de conselho diretor, vice-presidente que, eu juro pelos meus filhos, eu não tenho a menor noção como votam, como eles pensam politicamente. Mas enquanto Clube de Regatas do Flamengo, o Flamengo tem obrigação de interagir com as autoridades constituídas no município, no estado, no Governo Federal. E olha muitas dessas pessoas com quem nós temos interlocuções, que as pessoas dizem que o Flamengo se presta a esse papel, elas não se dão tão bem. Se você for sair do lado esportivo e for olhar como elas se tratam, você vai ver o seguinte: 'poxa, eu não vou falar mais com o Bap porque o Bap fala com o João, que eu não gosto'.

A gente fala com Pedro, fala com João, com quem tiver de falar em nome do Flamengo, respeitando os protocolos e os limites que a gente tem de falar. Eu te digo de uma posição muito confortável que eu assumi uma posição no Flamengo onde o Flamengo ficava feito criança mandando recado pela imprensa. 'Ah, o Pedro é feio, eu não gostei do que ele fez'. Meu amigo, isso é coisa de criança, de quem tem dez anos de idade. Eu não tenho que mandar recado para o Pedro. Se eu tenho algum problema com o Pedro, tenho de procurar o Pedro e tentar discutir como adulto o problema que eu tenho com ele. E o problema que eu tenho com o Pedro interessa a quem? A mim e ao Pedro. Não interessa a mais ninguém. Então as pessoas ficam imaginando, teorizando. Se as pessoas pararem para refletir, elas vão ver. Olha os desafios que a gente tem enquanto país.

Vocês acham de verdade que alguém que sente na cadeira de presidente está de verdade preocupado com o futebol no Brasil e com o Flamengo? Não tem mais nada para pensar, não tem outros problemas mais importantes para cuidar? O nosso assunto futebol, em que pese toda paixão que a gente tem, ele não é mais importante do que saúde, do que educação, do que saneamento básico, do que a gente discutir previdência, discutir tarifa de impostos no Brasil, estrutura de custo do país. Estas coisas, em que pese nossa paixão pelo futebol, são muito mais importantes e claro que elas têm uma prevalência. Então essa decisão do presidente Jair Bolsonaro ela foi tomada neste momento porque ele entendeu que a Lei Pelé tinha pontos que deveriam ser trabalhados. A Lei Pelé tem 21 anos e pouco, caminhando para 22. Quando ela foi escrita não havia Amazon, não havia Google, não havia Netflix, não havia WhatsApp, não havia Facebook. Não tinha a Apple do jeito que ela é. Não havia telefone 4G. A gente não poderia fazer essa entrevista que nós estamos fazendo agora aqui. O mundo mudou completamente em 22 anos. Seria uma tolice as pessoas creditarem ao Flamengo apenas porque agora essa coisa está mudando por causa do Flamengo. Gente, não é por causa do Flamengo. É por causa do mundo. Por acaso o Flamengo não tem contrato com a Rede Globo.

Mas se fosse com outros clubes... Vamos combinar, o Athletico-PR já criou essa situação já alguns anos atrás sem a publicidade que está vendo agora. Sete ou oito clubes da Primeira Divisão brasileira a questão de algum tempo atrás, eu estava num segmento de televisão por assinatura, assinaram contrato com concorrentes da Rede Globo. Sabe o que aconteceu? 'Ah, o mundo vai acabar'. O mundo não acabou, houve acordos laterais, o ecossistema futebol como um todo ganhou mais dinheiro. Se você olhar a evolução do dinheiro que foi colocado no mercado, os clubes que tomaram essa decisão ganharam mais dinheiro. São todos eles ditos grandes entre aspas? Não são todos eles grandes. É um direito legítimo. Eu não vou dizer amanhã 'Pedro, você não deve casar com sua esposa, você deve casar com essa outra moça que é melhor para você'. Ora, você casa com quem você quiser e vai ser responsável por essas consequências disso. Se você acertar, parabéns. Se você errar sempre tem chance de separar e casar de novo. Então querer politizar ou gerar uma ideologia em cima do que aconteceu é muito raso. É porque é mais fácil fazer isso do que você mergulhar fundo e agir realmente naquilo que é o interesse ao seu clube. É sempre melhor arranjar alguém que pague as suas contas do que trabalhar. O Flamengo não.

No Flamengo a gente acorda cedo para trabalhar porque sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. Quando você acorda cedo e dá muito duro, você eventualmente tem sorte, tem sucesso e acaba sendo chamado de quê? De arrogante, de prepotente, de que você está tentando liderar na marra. Não é nada disso. Liderança você não adquire, você conquista. E a gente não tem no Flamengo nenhuma pretensão de liderar nada. A gente faz o que a gente acha que é certo pelo Flamengo. E outros clubes entendem isso que isso é um gesto de liderança. Olha, a gente tem tantas outras coisas mais importantes para cuidar dentro do Flamengo do que ficar pensando em liderar. A gente acha que quem deveria liderar são outras entidades, outras personalidades que estão se escondendo aí sabe-se lá atrás do quê. Esperando que a vida resolva o futuro para eles. No Flamengo a gente trabalha, a gente tenta construir o futuro. E isso muitas vezes incomoda.

A MP trata da possibilidade de empresas de comunicação patrocinarem clubes, o que era proibido. Flamengo negociava com a Amazon e como enxerga esse mercado de tecnologia no futebol?

Olha, é uma ótima pergunta. Quando você decide casar com alguém você decide por um conjunto de possibilidades, tá certo? Você quer construir um vida, você quer ter filhos, você quer melhorar como pessoa, você quer ascender socialmente, enfim. O nosso contato com a Amazon era mais ou menos nessa direção. A gente queria construir alguma coisa grande com eles. Ah, tinha muito mais coisa do que estou te dizendo? Não tinha. A gente ficava muito animado e eles também com as possibilidades do que poderíamos fazer conjuntamente. Mas se eu te dissesse que eu tinha algum plano específico além de você botar a Amazon na camisa do Flamengo, como tem com o BRB...o BRB é uma parceria de negócios. Com a Amazon seria patrocínio. Poderia evoluir para alguma coisa maior? Poderia.

Infelizmente a conversa não foi adiante porque em algum momento a Amazon entendeu que a pandemia tinha afetado eles. A nossa visão é de que a pandemia fez a Amazon crescer ainda mais no Planeta Terra. Tá certo? E no Brasil em particular o câmbio ajudou muito a Amazon. Porque quando a gente estava negociando com eles o câmbio era R$ 3,50. No meio da pandemia o câmbio chegou quase a bater a R$ 6. Então em dólares, que era a moeda deles, o Flamengo ficou baratíssimo para a Amazon. Mas Amazon entendeu que o acordo seria longo e o dinheiro era muito naquele momento. Então, bom, se você estava conversando sobre casar e agora você quer passar um fim de semana, sei lá, num resort bacana. E o casamento era de R$ 38 milhões e virou de R$ 14 milhões, olha...a gente acha que o casamento não é mais tão casamento.

Então o sonho de estar com a Amazon ele nunca foi muito aprofundado. Do ponto de vista de potencial, a gente sonhava com isso, mas não foi discutido. E no fim das contas foi uma decisão como qualquer outra. A Amazon entendeu que ela tinha melhor investimento para o dinheiro dela nesse momento e que ela não devia se prender de uma forma tão longa ao Flamengo. E o Flamengo entendeu que, olha, tudo bem, é natural, a Amazon não é obrigada a se associar ao Flamengo. E o BRB queria montar essa plataforma de negócios sensacional que a gente conseguindo montar, apesar dessa paralisação, que acho que vai ser importante para o Flamengo. Eu repito: não é um patrocínio, é uma parceria. Isso vai gerar negócios para o Flamengo além do que o tradicional nome na camisa do clube, tá certo?

Você falou de uma queda de R$ 38 milhões para R$ 14 milhões. O que estava sendo costurado nesse sentido, o tempo de acordo? Os torcedores estavam muito empolgados com a Amazon...

Claro, eu tenho isso dentro de casa. Os meus filhos ficaram enlouquecidos, entendeu? É natural. Por quê? Porque todo mundo começa a pensar no potencial que teria. 'O Flamengo vai juntar com a Amazon, vai transmitir os jogos na Amazon'. Eu falava: 'Meu filho, e os contratos que a gente tem?'. 'Ah, isso é detalhe.'. Não é detalhe (risos). 'Ah, o Flamengo agora vai poder entregar camisa da Adidas na Nova Zelândia'. Olha, se a Adidas combinar isso com a Amazon, vai. Então a cabeça das pessoas foi longe no sonho.

Na verdade você tinha uma expectativa de fechar um contrato até dezembro de 21. De repente vira um contrato até janeiro do ano que vem para a gente ver como é que fica a situação. Ora, o Flamengo ia fazer 82% dos jogos dele entre julho e dezembro. Todas as competições realmente de peso e importantes aconteceriam nesse período. A gente entendeu que era uma vantagem enorme que a gente estaria dando para eles e que não faria sentido a gente dar saída para eles em janeiro do ano que vem. A gente começar de novo essa discussão toda de patrocinador ou de parceiro comercial. Não no patamar que a gente julga que a gente está. A Amazon discorda. Vamos concordar em discordar. Faz total sentido. Se não é bom para o Flamengo, não é bom para Amazon, não tem negócio. Então foi isso. Não é muito mais do que isso, não.

Ainda há espaço no uniforme do Flamengo para as mangas. É uma possibilidade, o Flamengo trabalha nesse sentido? Há também muitos documentários da Juventus, do Boca Juniors, do Barcelona, até do Sunderland. É um caminho que o Flamengo busca, não exatamente de patrocínio, mas buscar um player desses para se colocar ao lado das grandes marcas do futebol?

Olha, você está me dando uma ótima ideia. Vou dividir com meus pares de Flamengo isso. Quem sabe? (risos).

E sobre a questão da manga, com a Amazon?

Olha, a Amazon entendeu que a manga não era adequado para ela. Ela entendeu que a manga era pouco para ela. E eu concordo, tá certo? Nós entendemos que o que nós queríamos para patrocinador master do Flamengo era pouco. Basicamente eles queriam uma cobertura na Vieira Souto pagando condomínio de quem mora em Botafogo. Eu entendo. Eu também quero. Adoraria. De verdade, acho que é absolutamente legítimo. Só falta combinar com o dono da cobertura que ele vai te alugar um apartamento pelo valor de um sala e dois quartos, numa região menos nobre. Agora, o mérito eu entendo perfeitamente. Você querer comprar um produto que é padrão A por um preço muito inferior, descontado. Eu entendo perfeitamente. Felizmente a situação do Flamengo permite que o Flamengo não submeta esse tipo de situação. Nada de errado. Às vezes você precisa, né? Você tem de fazer, você não tem alternativa. Felizmente o Flamengo tinha.

Queria abordar mais um ponto com você. O contrato com a Adidas. Você esteve à frente da negociação lá atrás, em 2012, do contrato que vale até 2023. Era um Flamengo e hoje é outro Flamengo bem diferente. Por conta da pandemia houve um atraso no pagamento, mas as partes já se resolveram. Como o clube está observando esse mercado?

Olha, a Adidas é um parceiro por quem eu tenho um carinho absolutamente especial porque todo o processo de reestruturação do Flamengo começou com o que a Adidas pagou de luvas ao Flamengo de 2013. Em março de 13. Então em alguns momentos em me sinto até conflitado quando falo de Adidas porque em alguns aspectos as pessoas falam 'Ah, a gente tem de brigar por isso, por aquilo'. Eu me admito conflitado em alguns aspectos porque tenho carinho absolutamente único e especial em relação à Adidas. Eu entendo que o mundo mudou, a gente vai ter de fazer os ajustes necessários para que esse casamento de sucesso prossiga outros dez anos, tá certo? Mas vai chegar a hora certa da gente discutir isso. Flamengo está muito feliz com a Adidas, Flamengo se sente honrado de ter um patrocinador do calibre da Adidas. E acho que a Adidas também está feliz com o Flamengo. Esse foi o primeiro dos casamentos importantes que o Flamengo celebrou e que tanto trouxeram estabilidade que os clubes de futebol precisam. Então nós somos muito gratos e estamos muito felizes com a parceria da Adidas.

Ele ainda falou sobre a negociação sem sucesso com a Amazon e a parceria de quase dez anos com a Adidas.

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