Dirigentes tentarão terceirizar incompetência via coronavírus

ESPORTE INTERATIVO: Por Vitor Sérgio Rodrigues

A paralisação do futebol brasileiro em função da pandemia de Coronavírus já está trazendo uma grave crise aos clubes do país, que estão há quase três meses com basicamente uma fonte de renda: seus planos de sócio-torcedor. Sem jogos, eles não recebem direitos de transmissão (maior parcela da receita da maioria deles) e receitas relacionadas ao dia de partida (aliás, com os jogos retornando com portões fechados, essas receitas não voltarão por um bom tempo). Tudo isso é um fato. Como também é que o Coronavírus será culpado por algo que não lhe pertence: o estado falimentar de vários clubes do Brasil.

É evidente que esses quase três meses de paralisação trazem prejuízo. Mas é preciso haver uma análise criteriosa para identificar os clubes que já vinham tendo práticas de gestão irresponsável e temerária antes da pandemia. O caso mais claro é o do Cruzeiro, rebaixado no ano passado, com um déficit de quase 300 milhões de reais em 2019 e fruto de desvio de recursos, além da má gestão. A situação já era caótica muito antes de o Coronavírus aparecer. Há algumas semanas, o clube foi punido com a perda de seis pontos no próximo Brasileirão da Série B por uma dívida não paga desde 2016!

Foto: Divulgação
Mas não é só o Cruzeiro. O Corinthians fechou 2019 gastando 177 milhões de reais a mais do que recebeu, sem considerar a dívida pela construção de seu estádio. O São Paulo teve um déficit de 156 milhões de reais no ano passado. O Atlético Mineiro aumentou sua dívida em 90 milhões de reais em 2019. O Vasco deve parte dos salários de seus jogadores desde agosto do ano passado. O endividamento do Santos cresceu cerca de 180 milhões de reais em 2019. O Botafogo se apega à aprovação da Botafogo S/A para ser viável financeiramente. O Sport vive uma situação financeira gravíssima, entre outros em situação parecida.

Todos esses quadros graves foram construídos basicamente pela ideia vigente no Brasil de que clube de futebol não sofre consequências quando gasta mais do que arrecada. E isso, logicamente, foi construído em anos de gestões temerárias, muito anteriores ao surgimento da Covid-19. Atribuir ao vírus a culpa pela gravíssima situação financeira de vários clubes do Brasil não condiz com a realidade. E atualmente começam a surgir vozes pedindo um socorro governamental, ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro, para socorrer, mais uma vez, os gastos irresponsáveis e, em muitos casos, criminosos de incompetentes dirigentes de futebol. Não foi o Coronavírus que deixou esses clubes nessa situação.

Há alguns clubes que podem sim reclamar do efeito que a paralisação do futebol está tendo e terá em sua organização. Entidades quem vinham, também há algum tempo, se organizando e tendo gestões responsáveis, dentro de sua capacidade de gerar valor. São os casos de Athletico, Bahia, Ceará, Flamengo, Fortaleza, Grêmio e Palmeiras. Esses podem sofrer e até dar alguns passos atrás em seu processo de reorganização com a seca de receitas durante a paralisação do futebol brasileiro.

O Coronavírus é culpado por centena de milhares de mortes ao redor do mundo, numa sufocante onda de angústia, dor e desespero. Mas é muito injusto que, pelo menos neste momento, ele leve a culpa pela situação insustentável de vários grandes clubes brasileiros.

É muito injusto que, pelo menos neste momento, ele leve a culpa pela situação insustentável de vários grandes clubes brasileiros.

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