Petraglia elogia Landim: "Politicamente o Flamengo nos representa"

GAZETA DO POVO:  Por Fernando Rudnick

O presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia, comemorou muito a edição da Medida Provisória 984/2020, que alterou a regra dos direitos de arena em eventos esportivos brasileiros.

Defensor de longa data de que o clube mandante seja o único dono dos direitos de transmissão de uma partida, o dirigente acredita que a mudança será positiva para trazer novos nomes para o mercado, ajudando os times a captarem mais recursos com a venda com esse ativo.

Foto: Divulgação
Petraglia, no entanto, fala que é preciso aperfeiçoar a norma quando antes de ela se tornar uma lei propriamente dita. Atualmente, há um projeto de lei que trata do assunto no Congresso – a MP tem validade de até 120 dias. A preocupação dele, é de que, no futuro, as vendas de direitos de transmissão sejam feitas em bloco, como nos principais campeonatos europeus, para fortalecer o conjunto, não apenas poucas equipes.

"Você divide para depois multiplicar, como aconteceu na Espanha, na Inglaterra, Alemanha, França", explica. "E tem uma divisão mais justa para crescer o campeonato como um todo. De que adianta o Flamengo ser campeão todos os anos? Se não haver uma melhoria da competitividade do campeonato perde a graça", completa.

Sobre o Flamengo, aliás, o dirigente elogiou o presidente Rodolfo Landim, quem ele acredita que deva liderar o processo de criação de uma liga de clubes no país.

Na entrevista, o presidente atleticano também falou de assuntos polêmicos, como os contratos com Globo e Turner, o projeto de lei de clube-empresa e a volta do futebol.

Importância da MP-984
"Primeiro, tenho que agradecer o trabalho que o Flamengo fez, através de seu presidente, Rodolfo Landim, que tomou à frente, e conseguiu isso para benefício de todos os clubes. Em princípio, acho extremamente necessário, positivo, para a vinda de novos players que possam comprar os conteúdos. Quando você tem concorrência, tem procura, o preço sobe".

Impacto da MP no futebol brasileiro
"É um primeiro passo para a modernização da legislação que vem da Era Vargas do desporto nacional. Essa estrutura de confederações, de federações, de clubes amadores e profissionais – e o futebol fazendo parte desse contexto todo, quando é o esporte de 90% da população. Então, queremos uma reestruturação do futebol como um todo. Esse é um primeiro passo".

Flamengo e Landim
"Tenho dito ao Landim que o futebol brasileiro é Brasil, Rio de Janeiro, Maracanã, Flamengo, do ponto de vista interno e externo. O poder econômico está um pouco mais em São Paulo, mas politicamente o Flamengo nos representa. E estou pedindo para que ele lidere e deixe um legado, não só de o Flamengo ser campeão do mundo, como quase foi em 2019, mas para o futebol brasileiro, pensando na indústria como um todo. Ele está muito empenhado. Claro que nós não temos a cultura do coletivo, ainda existe muita rivalidade, aquilo que foi usado por décadas de dividir para governar. É um absurdo que os clubes não estejam unidos nos seus objetivos, buscar novas receitas. Porque o modelo da televisão que sustentou o futebol brasileiro por décadas, desde a criação do Clube dos 13, em 1987, está esgotado. Foi muito bom, mas chegou no seu limite. O Landim entende que o caminho tem de ser de pensar nos outros. Temos falado em termos filosóficos, da posição do Flamengo, de como tem que ver a modernização e o crescimento de futebol brasileiro. E estamos 100% de acordo".

Liga de clubes
"Têm muitos embriões. Têm muitas conversas de criação de um estudo, de criação de uma liga. Somos um grupo com os 20 presidentes da Série A. Assim como temos outro grupo dos oito da Turner. Então, nos comunicamos no grupo e vejo a posição do Flamengo, sempre visando o interesse coletivo. Só que nesse primeiro passo, não sei das dificuldades que ele [Landim] enfrentou [nas negociações da MP 984] . Não estive em Brasília, talvez não tenha sido possível [fazer mais do que foi feito]".

União dos clubes
"Tenho uma visão, mas posso estar enganado, claro, que a única forma de melhorar essa condição, de trazer dinheiro mais forte, é a união dos clubes, vendermos em bloco. Você divide para depois multiplicar, como aconteceu na Espanha, na Inglaterra, Alemanha, França… temos uma exceção só, que é Portugal. E tem uma divisão mais justa para crescer o campeonato como um todo. De que adianta o Flamengo ser campeão todos os anos? Se não haver uma melhoria da competitividade do campeonato perde a graça".

Globo e Turner
"Quando trouxemos a Turner pro Brasil, quando se iniciou uma nova era em 2016, a Globo foi, se apressou e comprou os direitos do principais clubes. Corinthians, Flamengo, Grêmio… E deu valores altíssimos, garantias mínimas. E o resto, tínhamos alguns clubes assinaram com a Turner. Ficou 13 a 7 naquela ocasião, na TV fechada. Mas na aberta eles conseguiram 19. Ou o Athletico vendia para ela ou não vendia para ninguém porque eu não poderia passar meu jogo. É essa posição de escravidão, quase de obrigação, que acho extremamente injusto. Porque ela paga mais para os grandes e os menores tem que vir a reboque. E nós não vendemos o PPV pelo valor vil que ela nos ofereceu".

MP e impacto na negociação com a Turner
"Não sei [se a MP vai impactar na negociação com a Turner]. Não posso prever. Temos que entender os reflexos reais dessa mudança. Em princípio, os advogados estão dizendo que aumenta o número de jogos que a Globo vai ter e que a Turner terá. Está muito recente, tem que estudar os contratos, as cláusulas, os mínimos detalhes".

Contrato com a Globo
"Temos só uma proposta assinada com a Globo. Os contratos verdadeiros nunca foram assinados com todas as cláusulas. Quando os clubes assinaram com a Globo, assinaram como se fosse uma carta de intenções com N cláusulas, se comprometendo a assinar depois o contrato. Esse contrato nunca foi assinado. A bronca do Flamengo é essa. O Flamengo foi pra Justiça porque o entendimento da carta da intenção é uma e o entendimento da Globo é o contrato, que nunca foi assinado".

[Nota do Editor: em janeiro, o Flamengo entrou com ação cível contra Globo por causa de divergências no contrato do Brasileirão]

Risco da MP não virar lei
"Vejo com bons olhos que teremos complementos, alguma participação do legislativo. Reduzindo aqui, aumentando ali. Mas não vejo [retrocesso]. Quem sabe, complementem dizendo que as negociações tem de ser coletivas. O direito é individual, mas pra vender tem que ser coletivamente. Como tem na Espanha. Tem que ser coletivamente e o primeiro não pode ganhar mais que X do último. Se eu tivesse a força do Flamengo, teria incluído isso na medida porque a minha visão é essa, favorecer os menores, ter equilíbrio na competição. Agora tem o legislativo. Obviamente que os deputados vão consultar suas bases e vai ter uma certa reação. A visão desse assunto não é uma coisa fácil. Alguns são a favor do mandante, outros são contra. O que temos de nos espelhar é no mundo, ver o que estão fazendo e seguir em frente. Eu fiquei muito feliz, longe de pensar em quebra de monopólio".

Opções no mercado
"Eu fiquei feliz porque vamos ter alternativas de parceiros. Players que querem comprar nosso conteúdo. A DAZN é um player. A ESPN e a FOX são da Disney. A Turner é da AT&T. Tem a Amazon, o Google, a Apple, o Facebook. O Facebook comprou conteúdo da Libertadores. Digamos que uma empresa quer comprar uma coisa? Não pode porque tem comprar os dois. Daí um já vendeu e não pode mais. Restringe muito o mercado. Depois, para mais valia, para termos valores grandiosos, vamos nos unir de novo, como aconteceu na Inglaterra, na Espanha. Depois você transfere os direitos para a liga, sob certas condições, e ela negocia. E não teremos mais negociações isoladas, de clube para clube".

Clube-empresa
"Hoje [quinta-feira] o deputado Pedro Paulo me ligou exclusivamente para falar sobre a MP. Aproveitei e perguntei a ele sobre o projeto de sociedade privada. Precisamos apressar isso também, trazer dinheiro novo para o futebol brasileiro. O modelo de associação sem fins lucrativos acabou. Têm clubes que se não trouxermos investidores, fundos, sei lá, dinheiro para capital… os clube estão esgotados, não têm credito para nada. Já estão trabalhando a quatro mãos [no projeto do clube-empresa] , mas não há clima para seguir nada enquanto todos estiverem trabalhando na pandemia, que é o assunto único no congresso".

Volta do futebol
"Todos os dias têm sido corridos. Treina, não treina. Impede, não impede. Vai ter futebol, não vai ter futebol. Quem disser que está vendo alguma luz está com ilusão de ótica. Não há a menor condição de estabelecer… os clubes até me ligaram todos querendo começar o campeonato em 7 de julho. Eu falei que se o governo permitir, se as autoridades de saúde autorizarem, o Athletico estará pronto para jogar. Agora, não vou tomar nenhuma iniciativa sem a Federação pegar essa responsabilidade junto das autoridades. Ele é a promotora do campeonato".

O dirigente do Athletico elogiou o Rodolfo Landim, quem ele acredita que deva liderar o processo de criação de uma liga de clubes no país.

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