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sexta-feira, 29 setembro, 2023

Prata com orgulho de ouro

O Flamengo é exceção. Se fosse qualquer time outro time brasileiro, seria goleado pelo Liverpool.
23 de dezembro de 2019

Por Daniel Giotti de Paula

Foi o que disse Diego Alves, um dos nomes do jogo final do Mundial de Clubes de 2019, após a derrota do Flamengo por 1 a 0 contra o Liverpool. Um jogo apaixonante, como evoca o vermelho dos Reds e dos rubro-negros.

Existe uma sensação no Brasil de que o segundo colocado é o primeiro perdedor. Ninguém deve exaltar uma derrota, mas, quando se tem um time inferior tecnicamente e ele consegue equilibrar um jogo contra alguém melhor, a derrota ganha sentido, duplo neste caso: orgulho pelo jogo passado, esperança em jogos futuros.

Liverpool versus Flamengo é um jogo emblemático por alguns motivos. Pela vitória histórica do Flamengo de Zico em 81, mas por aquilo que Inglaterra e Flamengo representam.  

O futebol só é futebol, porque os ingleses o criaram. Mas o futebol só é global por causa do que o Brasil fez desde a geração de Pelé e Garrincha e, também, por seu semideus Zico.

O rock só é rock por quatro garotos de Liverpool. Mas eles tinham simpatia pelo Everton, dizem, o adversário histórico local dos Reds. Conta-se que talvez apenas Paul tenha virado torcedor dos Reds.

E se rock virou algo que se faz em qualquer língua, música nacional com ares universais é a bossa, o samba, a MPB.

Foto: Alexandre Vidal

Uma hora antes do jogo em 1981 contra o Liverpool, Júnior e Zico puxaram o samba. Hoje, em 2019, não apequenamos ante a grandeza de um clube, que canta que eles nunca caminham sozinhos, que se orgulham dos garotos de Liverpool, torçam ou não pelo clube. Um patrimônio incomensurável e irrenunciável.

Mas, quando Diego fala que levamos a prata com orgulho de ouro, significa que não apequenamos, jogando taticamente, tendo a tal criatividade tática que Mister propôs.

Se Salah, Mané, Firmino e outros tantos jogadores do Liverpool estão entre os melhores do mundo, temos uma criatividade proporcional à nossa grandeza musical.

Essa criatividade musical à brasileira fez o Flamengo colocar dificuldades para o Liverpool, fazendo-o recuar, quebrando suas linhas de defesa, vencendo durante boa parte do jogo o tradicional movimento “entrelinhas” do time de Klopp: meias e atacantes ocupam espaços vazios entre as linhas do adversário, recebendo, tocando e sempre movimentando.

O Flamengo aprendeu com Mister a se valer dessa tática, exigindo que o Liverpool fizesse ligações diretas, em vários momentos do jogo, sem espaço para jogar o futebol como entende que deva ser jogado.

Klopp já disse que os Reds jogam com a intensidade do rock. Flamengo de Mister também tem essa intensidade, mas o jogo revelou outras características individuais e coletivas.

Bruno Henrique joga com samba nos pés; Arão tem o fôlego de um puxador de samba-enredo; Arrascaeta, uruguaio, tem uma elegância sutil, um misto de jazz e samba, um jogador bossa-nova com a elegância de João Gilberto, e Rodrigo Caio joga de terno, um maestro a la Tom Jobim, o maestro nas quatro linhas a serviço do maestro de fora, Mister, que não parece gostar dos trágicos e bonitos fados portugueses, pelo menos no futebol. Drama não é com ele.

Ninguém desafina, ninguém desafinou, jogando além do que podiam individual e coletivamente. Faltou ao Flamengo elenco, pois, certo ou errado o Mister em suas substituições, ao tirar Arrascaeta e Everton Ribeiro, colocando no lugar Vitinho e Diego, prova-se que a equipe rubro-negra precisa melhorar seu quadro de jogadores.

O jogo durou até a prorrogação. Firmino decidiu. Alisson fez poucas defesas, mas o Flamengo tentou até o fim e, se empatasse até o fim da prorrogação, nos pênaltis, em que a intensidade não tem vez, talvez os rubro-negros vencessem.

Mesmo sendo mais intenso, para muitos o que indicaria superioridade, embora o Flamengo tenha tido maior posse de bola, se ganhasse nos pênaltis, não seria uma injustiça, justamente pela qualidade demonstrada.

The dream is over? Não, pelo contrário: o Flamengo de seis meses no comando de Mister, com novas contratações, mostrou que pode muito, até jogar de igual para igual contra o Liverpool, de cinco anos sob a batuta de Klopp, com tantos jogadores excepcionais.

Tostão, um prático e teórico do futebol, em sua coluna dominical na Folha, no dia 22 de dezembro de 2019, gravou que: “o Flamengo mostrou que é um grande time do mundo … A grande diferença entre os grandes times europeus e os sul-americanos não diminuiu. O Flamengo é exceção. Se fosse qualquer time outro time brasileiro, seria goleado pelo Liverpool”.

Tostão sabe das coisas, não é flamenguista, mas um dos maiores amantes do futebol.

O sonho apenas começou e, se ainda pedimos o mundo de novo, temos a esperança de que ele virá, mais dia, menos dia.

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